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Rafael Holanda: Ato de confissão

Rafael Holanda. Publicado em 4 de novembro de 2019 às 10:05

As minhas mãos calejadas pelo tempo, ainda guardam entre as suas articulações a capacidade de consolar, de buscar por caminhos estranhos a verdadeira saída e encontrar entre mil desilusões uma maneira mais fácil de viver em paz.

Foram através destas mãos que evitei  sepulturas, que procurei tornar um deus na forma finita, para que a manifestação de vida borbulhasse de forma perfeita no coração de alguém que se encontrava morto em vida.

Foram longos passos de uma estrada distante, de momentos que os meus pés se sentiam cansados, porém nunca consegui desistir de um grito que ecoasse, sem que eu não pudesse chegar lá.

Foram solidões desesperadas, pelos corredores de um grande hospital, onde a canção que ecoava na escuridão era de um grito de dor, uma lágrima tão importante aos meus olhos que se tornou força para que continuasse.

Agora passado tempo, eu continuo em busca do caminho do tempo, na certeza absoluta de deveres cumpridos, de sonhos realizados, de coisas que ficaram em segredo entre eu e Deus e nós resolvemos juntos.

Eu gosto de expor os sentimentos que me envolveram, por coisas que passei, por erros cometidos e pelo perdão de forma perfeita em confissão, pois a vida nos mostra que tudo gira em torno de alegrias e decepções.

Já não sou a roda perfeita que girava na estrada, as minhas proteções se acham gastas, meu coração ainda na empolgação de ser é o que não é estimula por suas batidas estimular a construir um pouco do que fui.

Um pouco  rígido em termos de conduta para que não me arranhasse na primeira queda, hoje eu sinto no peito  que as dores de muitos se incorporaram na minha intimidade mostrando que faço parte de todos e todos fazem parte de mim.

Hoje sinto saudade das coisas que foram vitrines aos meus olhos, dos amigos da infância, das brincadeiras que viravam noite, dos sonhos e pesadelos que se tornaram cada fio de minha rede.

Hoje eu me sinto mais feliz, porque continuo sendo uma alegria dentro de minha casa, e para com o hospital que frequento, mas vejo muitos amigos que se fizeram anônimos dentro de casa e o sonho se fez silêncio.

A vida, como uma roda gigante mostra em cada volta que,em cada parada haverá sempre de descer alguém , após cumprir a seu desejo, porém muitos sentem o enjoo e buscam parar na primeira volta.

Eu sou entusiasta da vida, de buscar seguir a orientação, não no sentido de perpetuar, mas na certeza que quando o dia chegar não terei medo da morte, e sim uma grande saudade dos belos momentos da vida.

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