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Rafael Holanda: A paz esteja com todos

Rafael Holanda. Publicado em 26 de fevereiro de 2020 às 12:44

Foto: Paraibaonline

Eu gostaria de ser em certos momentos, as lágrimas que surgem nos olhos dos que sofrem, e procuram em vão a paz necessária, para ultrapassar pequenas barreiras que se tornam intransponíveis.

Gostaria de dividir a minha alegria, para que os dias de tormentos que cruzam a vida de tantos fossem pelo menos amenos e mais abertos de uma luminosidade que acalmasse.

Gostaria de ser um rio manso a caminhar em direção ao mar da felicidade, com a certeza de que em cada parada se juntasse um punhado de esperança e no final surgisse a alegria infinita.

Gostaria de não sofrer ou transmitir sentimentos de tristezas, em decorrência das coisas que os meus olhos enxergam, mas as minhas mãos não possuem a potencialidade de resolver problemas tão simples.

Gostaria de nunca necessitasse chorar por coisas tão banais, mas no fundo tem repercussão de uma tempestade que assola de forma traiçoeira os que a natureza lhes deu o titulo de indignos.

Gostaria que a minha mesa fosse farta como a de todos, que o meu leito fosse tão semelhante as dos que vivem em pequenos mocambos que fazem do chão o seu colchão e se cobrem as páginas que por si só são trágicas.

Gostaria de nunca houvesse a necessidade de ofender, repudiar ou guardar em meu coração um pouco de rancor, diante das coisas que são atiradas de formas não pensadas, mas que ferem.

Gostaria de ser a mão abençoada para realizar ações que fossem capazes de encantar as dores daqueles que sofrem e carregam cruzes que ferem a sua dignidade e os matam de forma moral.

Gostaria de ser a voz que através  da brisa de um vento lento levasse a distância palavras que tivessem a força de uma oração e fosse capaz de ser tão maravilhosa quanto a beleza da vida.

Gostaria de ser o silêncio que com sua força diz palavras sem a necessidade de expor,que consola sem a necessidade de abraçar, sem expor ao mundo visando receber elogios pelas ações.

Gostaria de tudo viesse a ser aquilo o que programamos dentro da nossa intimidade, que cada um tivesse a sua chance de alcançar desejos íntimos, sem a necessidade de planos ardilosos.

Gostaria de ser os olhos onde o escuro existe,os ouvidos onde o silêncio se torna inoportuno, de ser a palavras para os que não falam, de ser a justiça pelos que clamam a liberdade.

Gostaria de ser coisas pequeninas que se tornam tão grande aos olhos de Deus, tais como a divisão de um pão para matar uma fome, um copo de água para aliviar uma sede, um agasalho para abrandar um frio,e uma esteira para aliviar um cansaço.

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