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Proteger o Cristo entre os pobres

Dom Delson. Publicado em 25 de julho de 2018 às 12:15

O tema dos migrantes e dos refugiados sempre ocupou espaço generoso na agenda de discursos do Papa Francisco. Ele sempre procurou expressar real interesse pela dramática situação de tantas pessoas que sofrem o flagelo do abandono de seus lares e suas pátrias.

Para o Papa, esse interesse deve ser rotineiramente o interesse da Igreja: “O estrangeiro que reside convosco será tratado como um dos vossos compatriotas e amá-lo-ás como a ti mesmo, porque foste estrangeiro na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 19, 34).

Na lógica misericordiosa do Evangelho, os estrangeiros ou refugiados não são estranhos, mas irmãos, que devem ser amados e protegidos, como se fossem o próprio Cristo a ser protegido por nós.

A Igreja dos tempos de hoje não pode fechar os olhos diante de referido drama humano. Temos o dever de consciência, oriundo da força transformadora do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, de cuidar concretamente desses nossos irmãos que sofrem.

Muitos desses procuram em nossas terras oportunidades de um futuro melhor, pois em seus países já não poderiam permanecer, já não teriam condições de sustentar suas próprias famílias. A Igreja busca acolhê-los, mas também tem a esperança de que um dia vão poder voltar aos seus lares de origem.

O Sumo Pontífice acredita que os filhos da Igreja podem acolher, proteger, promover e integrar as pessoas envolvidas nesse drama em busca de um futuro. A nossa Arquidiocese pôde, nos últimos dias, receber alguns refugiados da Venezuela, e tem buscado, mesmo diante de tantos limites, integrá-los em nosso convívio social paraibano.

Sabemos que ainda fazemos pouco, mas não queremos perder a oportunidade de proteger o Cristo na vida concreta desses nossos irmãos venezuelanos. O que nos move não é unicamente o interesse sociológico, mas acima de tudo o alegre dever de socorrer os mais pobres, e socorrê-los porque amamos a Deus. O real interesse que nos move é o da caridade.

Acreditamos no princípio da centralidade da dignidade humana. Todas as pessoas têm o direito de usufruir de bens fundamentais, como lar e terra. Que o generoso amor de Cristo, brotado da cruz, desarme nossas fronteiras do egoísmo de uma vida voltada para si mesmo, e que nos faça homens e mulheres que são vencidos pela generosidade de socorrer os mais necessitados.

Quando auxiliamos os mais pobres, protegemos o Cristo, que se fez pobre, em nosso meio!

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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.

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