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Produção de alimentos no Brasil

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 23 de abril de 2018 às 9:52

A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), divulgou a previsão para a produção brasileira de grãos 2017/2018 que mostra uma redução de 3,4% em relação à safra anterior (2016/2017). A queda prevista, apesar de significativa, não traz consequências severas numa perspectiva de médio e longo prazos, pois a tendência da produção de grãos no Brasil é muito boa.

Evidentemente algumas providências devem ser adotadas pelo Governo no sentido de eliminar gargalos significativos, elevando a produtividade e a competitividade do nosso agronegócio. Tecnologia não nos falta.

Dentre as medidas a ser adotadas, citamos duas:

1º a redução nas perdas no campo; estatísticas apontam que 30% do que se planta não é colhido, não apenas em grãos.

2º A precariedade do nosso sistema logístico responsável por perdas da ordem de 10% no transporte. Para efeito de comparação: a produção nacional de soja prevista para 2017/2018 é de 115 milhões de toneladas, e a dos Estados Unidos é de 118 milhões; Nos Estados Unidos não se registram perdas significativas no transporte; caso eliminássemos as perdas no Brasil a produção passaria a 127 milhões de toneladas, tornando nosso país no maior produtor mundial.

Eliminadas, ou minimizadas as perdas, muitos seriam os benefícios, principalmente nos preços que, naturalmente, tenderiam a baixar, melhorando o abastecimento interno e alargando nosso mercado para o exterior.

O levantamento da CONAB mostra uma queda significativa na produção de milho (-9,4%) e arroz (-7,7%), mas avanços na produção de algodão (+21,5%), soja (+0,8%), trigo (9,2%) e outros (+8,2 – aveia, amendoim, girassol, mamona, sorgo, canola, centeio e cevada.

No âmbito das relações comerciais com outros países, temos a destacar:

1º A participação do agronegócio no total das nossas exportações foi de 45% em março deste ano, com vendas de US$ 9,083 bilhões, ante total nacional de US$ 20,089 bilhões.

2º Nossas exportações se espalham pelo mundo inteiro; nosso maior mercado é a China, para onde vendemos US$ 3,321 ou 36,6% do total; em seguida, bem abaixo, vem os Estados Unidos, com US$ 573 milhões, ou 6,3%; os outros 57,1% de produtos destinam-se aos demais destinos em todos os continentes.

A estimativa da área plantada em nosso país passou de 57,1 milhões de hectares em setembro de 2016 para 61,2 milhões de hectares no mesmo período de 2017, um crescimento de 7,3%. Saliente-se que as lavouras ocupam apenas 7,6% do território nacional, oferecendo excepcionais condições de crescimento, podendo tornar o Brasil no maior produtor de alimentos do mundo.

Segundo os dados do IBGE a estimativa do valor bruto da produção agropecuária (VBP) em 2017 foi de R$ 535,4 bilhões. As lavouras respondem por R$ 367,2 bilhões, e a pecuária, R$ 168,2 bilhões. O resultado de 2017 é 4,1% acima do obtido em 2016 (R$ 514,2 bilhões). Em tudo, avulta o papel da agricultura familiar, não só pelos aspectos econômicos, mas, principalmente o social. A agricultura familiar emprega mais de 70% da mão de obra e concentra quase 40% da produção. Esse segmento deve ser objeto de políticas governamentais adequadas, seja de uma ocupação racional dos espaços, na introdução de modernas tecnologias, na mudança no perfil educacional do homem e garantia de recursos financeiros no volume e na hora certa de sua concessão.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

falecom@fhc.com.br

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