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Primeiro o Brasil

Ailton Elisiário. Publicado em 26 de maio de 2018 às 8:11

A greve dos caminhoneiros produziu efeitos que nem os próprios caminhoneiros imaginaram. Premidos pela pressão dos preços dos combustíveis que vinham secando suas receitas e comprometendo suas obrigações e ganhos, a paralisação dos veículos de carga nas rodovias do país revolveu a cômoda posição do Poder Público que tudo faz para azeitar a máquina ineficiente do Estado.

A Petrobrás que adotou uma política de preços mais altos, acompanhando as elevações dos preços internacionais do barril de petróleo, embora adequada para a sua recuperação tem penalizado os consumidores que pagam a conta pelos aumentos dos preços dos produtos em geral. Por sua vez, o Estado não se dispõe a cortar sua própria carne, mormente neste ano eleitoral, mantendo em alto patamar a carga tributária imposta impiedosamente aos brasileiros.

O que se vê é que o combustível continua a ser importado, as refinarias nacionais continuam ociosas, os concorrentes da Petrobrás ganham mercado e a Petrobrás permanece vegetando sem forças para cumprir com sua missão, qual seja, a de contribuir com o desenvolvimento nacional e de abastecer o mercado interno aos menores custos possíveis. Observe-se que a importação do óleo diesel dos Estados Unidos em 2015 correspondia a 41%, tendo passado dos 80% do total importado em 2017.

Desse modo, o Brasil não está realizando sequer sua própria autodefesa, sujeitando-se aos interesses externos, esquecendo-se que em contraposição ao presidente americano, é o Brasil que deve vir em primeiro lugar. O nosso lema deve ser sempre: “America first, no; Brazil first, yes”.

A negociação feita pelos caminhoneiros com o Governo não é definitiva, posto que suspende a política de preços praticada por apenas trinta dias. O fato é que, por trás disto, estão os interesses da empresa em manter sua recuperação e do governo em manter sua arrecadação. Não se vê uma preocupação com o país e seu povo, mas tão só na própria salvação. A palavra de ordem é “salve-se, quem puder”.

A Petrobrás suspende sua política temporariamente e o Governo transfere para outros setores os efeitos da desoneração da folha de pagamento. Com isto, cobre-se um santo descobrindo outro permanecendo “tudo como dantes no quartel de Abrantes”. Mas, certamente há condições de revisão dessa política de preços da estatal sem que a comprometa e retirando a sociedade da situação de instabilidade permanente. O Governo pode apenas reduzir impostos, tais como o PIS/COFINS, da mesma forma que estes foram simplesmente aumentados em 100% em julho de 2017.

Está faltando bom senso neste país. Urge que produtores, consumidores, empresários, empregados, políticos, governantes, lutem pelo Brasil. Mas lutem com sacrifício até, contribuindo as empresas com redução em seus lucros, os governos com redução dos seus gastos e receitas, os consumidores com redução dos supérfluos, os políticos legislando com desinteresse pessoal, todos conscientizados que cada um tem a sua parcela de responsabilidade na vida social e na manutenção do bem comum.

Silenciemos todos para que a iluminação esclareça a razão. Adormeçamos todos para que a ambição descanse. Compenetrados do papel social de cada um e conduzidos pela solidariedade humana, todos contribuiremos para a felicidade geral da nação. Brasileiro comprometido com este país só quer uma coisa: Primeiro o Brasil.

 

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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