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Por que “fazer campanha” por uma Cadeira de Academia?!…

Mário Tourinho. Publicado em 10 de setembro de 2021 às 10:21

Elaboro estes escritos um dia antes da eleição (2º turno) para o preenchimento da Cadeira 26 da APL (Academia Paraibana de Letras). E enfatizo – como esclarecido está neste texto – que não há, de minha parte, torcida por um ou outro nome, primeiramente porque não integro a APL (integro a APCA – Academia Paraibana de Ciência da Administração), e, em segundo lugar, porque, como simples observador e admirador da mais antiga Academia da Paraíba, meu pensar é o de que tanto Cleanto Gomes como Hélder Moura, bem assim Andréa Nunes (cujo  nome também participou deste processo de escolha em seu 1º turno), todos os três têm o devido mérito para integrarem a mais renomada Academia paraibana, de tal forma que obtiveram parecer favorável da Comissão de acadêmicos designada para analisar e avaliar as respectivas realizações intelectuais e artísticas, “materializadas em obras importantes e em notável atuação na cena cultural”, conforme palavras de Hildeberto Barbosa Filho.

Faço este comentário exatamente instigado pelo artigo de título “Eleições na APL”, de autoria do renomado escritor Hildeberto Barbosa Filho (que é membro da mesma APL), artigo este publicado no Jornal A União de 29 de agosto recente e que em certo trecho enfatiza: – “Estou na Casa de Coriolano de Medeiros há mais de 20 anos e já vi muitas coisas. Coisas que podem parecer estranhas aos que desconhecem os estatutos que regem sua estrutura, seu funcionamento e a convivência entre seus pares. Coisas estranhas para os de fora; coisas comuns para os de dentro”. Mais adiante também destaca: – “No mais das vezes, vota-se por amizade ou se deixa de votar por inimizade … Vota-se também por gratidão … Outros e outras nem votam, abstêm-se ou votam nulo ou em branco, fiados no ´espírito acadêmico`”.

Pois, bem! Mesmo  que não tenha sido explicitado por Hildeberto Barbosa Filho, o artigo dele, aqui referido (e que, repito, está em A União de 29-08-21 e que se faz necessário ser lido  por integrantes de todas as Academias), mais alimentou meu posicionamento – que tenho defendido junto à APCA – no sentido de que seja mudado o dispositivo estatutário que disciplina a escolha de acadêmicos sob esta atual  forma eleitoral, em que, para ter-se a aprovação como “imortal”, tem-se que se candidatar, ou seja, fazer requerimento de inscrição para concorrer à Cadeira que esteja vaga e que, como também expresso por Hildeberto, “muitos cobiçam”.

Ainda a propósito do artigo de Hildeberto, ele lembra que  não havia “ninguém, à sua época (época de Gautier – 1811/1871), mais talhado para ocupar  uma Cadeira na Academia Francesa do que o escolado Theophile de Gautier (escritor, poeta, jornalista e crítico  literário)… Tentou quatro vezes ser eleito, sem êxito”.

De outra parte, pelo que pesquisei, um dos mais renomados nomes da literatura brasileira (e reconhecido por muitos como o mais influente poeta do século XX), Carlos Drumond de Andrade (1902/1987) não aceitava – como não aceitou – ter de concorrer (concorrer com outrem, por óbvio) para ser reconhecido como “imortal” da Academia Brasileira de Letras. Essa também foi a postura de Érico Veríssimo (1905/1975) e Graciliano Ramos (1892/1953). Três renomados da literatura brasileira que não integraram a ABL!…

Por isto, insisto em meu pensar: – as Academias deveriam eleger seus “imortais” ao estilo da eleição do Papa!… Ou seja, que o escolhido  seja o resultado de uma espécie de consenso e sem qualquer referência a qual ou quais outros nomes teriam sido também considerados. Lembra-me, por exemplo, a escolha de um “Doutor Honoris Causa” a exemplo da feita pela UFPB em relação ao cronista-mor da Paraíba (também imortal da APL), Gonzaga Rodrigues, cuja entrega do título, que presenciei, obedeceu a um rito muito marcante: praticamente em seu início o Reitor da UFPB, dirigindo-se ao homenageado, consulta-lhe se aceita referido título. Com o “sim”, o homenageado inicia seu discurso como “Doutor Honoris Causa”.

Por que não se buscar, nas Academias, uma forma de escolha de seus acadêmicos assim, sem necessidade de inscrição do candidato e que, desse modo, a própria Academia, por sua iniciativa, pesquise e eleja o (novo) ocupante da Cadeira?!… Sem “disputas” que por vezes deixam marcas negativas!… Conheço ex-candidatos a Cadeira da APL que, após o processo de escolha e não tendo obtido êxito, nunca mais sequer passaram por perto do prédio da APL!

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Mário Tourinho

Administrador, membro da Academia Paraibana de Ciência da Administração (APCA), ex-diretor institucional do Conselho Federal de Administração, ex-presidente do Conselho Regional de Administração, pós-graduado em planejamento operativo, diretor executivo do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa de 1993 a 2016.

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