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“Petralhas” e “bolsominions”: que futuro queremos?

Flávio Romero. Publicado em 19 de setembro de 2018 às 15:40

A crise é uma realidade do mundo globalizado. Entre tantos problemas desse início de terceiro milênio, o desemprego, as migrações, a instabilidade econômica e as relações internacionais se colocam como desafios a serem enfrentados pelos governos das diversas nações.

Tomando como referência o Continente Europeu, o enfrentamento dessa crise tem favorecido o surgimento de governos de coalizão formados, muitas vezes, por partidos de posições ideológicas absolutamente divergentes. Como exemplos, podemos citar a Alemanha, a Espanha e a Itália.

A realidade impõe uma tomada de decisão que indica a necessidade de fortalecimento das bases governamentais, como medida inarredável para o enfrentamento da grave crise. Fica cada vez mais evidente que a governabilidade, a normalidade democrática e a paz social passam, necessariamente, pela coalizão dos “diferentes” em favor do bem comum.

A própria União Europeia tem estimulado a formação dessas coalizões, como estratégia, inclusive, de evitar a formação de governo minoritário, fortemente associados às posições conservadoras que fomentam projetos separatistas.

Particularmente, o cenário político do Brasil deixa à mostra uma realidade que pode levar a uma posição semelhante. Por um lado, percebe-se uma candidatura com nítido perfil ideológico conservador, desprovida de propostas sólidas de enfrentamento da acentuada crise por que passa o país.

Uma candidatura construída na desesperança de parcela significativa da população brasileira que identifica a corrupção como o grande flagelo social que fez ruir as bases da nossa frágil democracia, colocando na vala comum políticos de todos (ou quase todos) os partidos.

Apesar desse sentimento de aversão ter sido potencializado contra o PT, gerando uma espécie de ódio coletivo que desencadeou uma visão maniqueísta da sociedade brasileira, a corrupção no Brasil não tem cor e nem cara – alcançou quase a integralidade das siglas partidárias. Neste vazio de esperanças, sedimenta-se uma candidatura desprovida de bases sólidas; uma candidatura que alicerça sua trajetória nos discursos panfletários e salvacionistas, desprovidos de qualquer objetividade programática.

Esse dualismo ideológico faz crescer uma onda que se move determinando um lado para os “Petralhas” e um outro para os “Bolsominions”. Basta uma manifestação pública para que o cidadão seja “enquadrado” em um ou em outro lado. Não há racionalidade que permita uma visão não maniqueísta. Quem tem uma visão política mais à esquerda (ou centro-esquerda) é “Petralha”, mesmo sem ter sequer alinhamento histórico, pretérito ou presente, com o PT. Quem tem uma visão mais à direita é “Bolsominions”, mesmo sem ter alinhamento ideológico com algumas posições do candidato (ou seu vice). Nesse mundo de lógica binária, ou o/a cidadão/ã é fadado/a ao céu ou ao inferno. Não há espaço sequer para o purgatório.

No outro campo ideológico, estão os candidatos de partidos que confrontam a candidatura da direita, configurando um cenário em que quase a unanimidade opõe-se à citada alternativa. Não é sem razão que a hashtag #elenão vai ganhando forças nas redes sociais, deixando à mostra uma intenção clara de que grande parte dos partidos poderá se aliar numa frente única de oposição ao candidato da direita extrema.

Qual a relação entre esse cenário e a configuração de governos de coalizão?

Tem tudo a ver.

Por um lado, temos uma candidatura extremista que, em caso de sair vencedora, levará o país a um governo minoritário, sem capacidade política de diálogo com as múltiplas forças políticas e sociais, por uma razão simples: alicerçou a plataforma política num discurso desagregador, tanto no que se refere aos movimentos sociais, notadamente de segmentos minoritários ou socialmente invisibilizados, quanto em relação à articulação política, face ao pluralismo que caracteriza a democracia brasileira.

Por outro, temos pelo menos quatro candidaturas que em um segundo turno podem formar uma grande aliança partidária com o objetivo de derrotar a candidatura que atualmente lidera as pesquisas, favorecendo, em caso de sair vencedora, a possibilidade de formação de um governo de coalizão que garanta a governabilidade, a normalidade democrática e a paz social.

O momento é decisivo para que os/as brasileiros/as reflitam, ponderadamente e alijados das paixões, sobre o “futuro que queremos para o Brasil”.

Ou optamos por uma candidatura que tenha as condições políticas de mediar uma grande coalizão no segundo turno ou, fatalmente, seremos lançados a um futuro de incertezas, que pode levar o país a um caos e a uma crise de consequências imponderáveis.

Portanto, o voto não pode ser contra “Petralhas” ou “Bolsominions”.

O voto deve ser a favor do Brasil.

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