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Patrícia Alves: Um ano INDIZÍVEL para você também?

Patrícia Alves. Publicado em 28 de dezembro de 2019 às 21:13

Este é o meu jeitinho de resumir em uma palavra o ano de 2019, aquele ano que tive a sensação de finalmente ter soltado uma brasa quente, que sem proteção nenhuma tentava segurar com as mãos.

O resultado, você já sabe – e pode imaginar a cena ridícula: Jogava de uma mão para outra, pulava, gritava, e mesmo assim não conseguia segurar.

Até que… chutei as convenções pro espaço e joguei a brasa para um balde cheio d´água.

Enquanto eu observava a brasa esfriar, às vezes meu coração acelerava e no ímpeto eu já estava metendo a mão para resgatar, só que olhava para as queimaduras e cicatrizes e desistia.

Na desistência, fui só fortaleza e resiliência! Afinal, havia criado um padrão tão rígido que dizia que eu teria que segurar a “batata quente” até o fim.

Após noites em claro… finalmente a brasa esfriou e virou carvão, e veio um grande desespero: agora que eu não podia ascender mais fogos, qual valia eu teria para sociedade?

Então, como um sopro divino, segurei o carvão, que não queimava mais minhas mãos, e defini rabiscar novas linhas para uma vida nova.

Mesmo com um pouco de incômodo, por estar com as mãos sempre sujas, tive outro insight: este tempo todo eu estava segurando uma brasa, quando eu precisava mesmo de um carvão.

Era dele – do carvão, e não da brasa – que eu precisava para rabiscar, desenhar e escrever novas linhas, páginas, capítulos e novos caminhos.

Agora sem tanta pressa, pois quando aflita observava a brasa esfriar, aprendi a me conectar com meu eu, terminando 2019 com as mãos sujas do meu carvão redentor, pela primeira vez fazendo balanços e não planos para um ano vindouro.

Assim, desfiz a imagem de workaholic, joguei, também, a gaiola de hamster, criei novos caminhos, novas conexões neurais, decidida a viver perigosamente um dia de cada vez, sem segurar mais o que me fere ou o que me tira do meu propósito.

No fim, ficou a lição, que escrevi (com carvão) para compartilhar: Você precisa mesmo de brasa?

Beijos e feliz 2020, que os planos sejam iguais a empurrar pedra de morro abaixo, sem parcimônia, mas também sem autoflagelação.

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Patrícia Alves

* Jornalista e analista de projetos para captação de recursos públicos.

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