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Paraíba em mudança

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 8 de janeiro de 2018 às 11:40

Por Arlindo Pereira de Almeida (*)

Neste começo de ano, é necessário lançar um olhar sobre a realidade da Paraíba e os nossos compromissos quanto ao futuro.

Nós vivemos num Estado sabidamente pobre e não por culpa de nossa gente nem, reconheçamos, por incompetência generalizada dos nossos dirigentes. Ao lado dos incompetentes temos dirigentes capazes que deram e dão sua contribuição para atenuação das desigualdades regionais históricas que tanto tem castigado a Região Nordeste e particularmente a Paraíba. E para corrigir essas desigualdades são necessárias forças de outros níveis de governo e da compreensão dos que mandam verdadeiramente no Brasil quanto à obrigação cívica de mudanças. E  as mudanças começam pelo voto.

Mas vamos à Paraíba. Com efeito, para uma população de quatro milhões, ou 1,9% da do Brasil, em 2015 tínhamos um PIB de R$ 54 bilhões, ou 1% do total nacional. Trocando em miúdos, nosso produto interno bruto por habitante é aproximadamente metade do alcançado pelo Brasil.

O melhor retrato da desigualdade será a comparação com o Distrito Federal que com uma população próxima dos três milhões, ou 1,4% do Brasil, tem um PIB de R$ 186 bilhões que, em termos per capita, equivale a 3,6% do total do país, ou quase quatro vezes a participação da Paraíba. E o que o Distrito Federal produz? O Distrito Federal emprega menos na indústria e tem uma participação nula nas exportações do Brasil.

Que país é este? Com certeza vivemos sob um falso manto que é chamado de pacto federativo, que não tem nada disso. Segundo o dicionário, pacto é um contrato entre duas ou mais pessoas ou entidades em que em que se estabelecem geralmente direitos e deveres para as partes envolvidas. E um dever básico é tratar os desiguais de forma desigual. É uma dívida a ser resgatada para com a Paraíba e o Nordeste de modo geral.

Enquanto isso o que se espera das autoridades locais é fazer uma espécie de dever de casa.

Inegável que a Paraíba tem talvez a melhor infraestrutura do Nordeste para empreender transformações substantivas no seu perfil socioeconômico. E foi construída ao longo de vários governos.  Posição geográfica estratégica, cidades importantes bem distribuídas em todo o estado, rede de estradas que precisam servir como ligações comunitárias na forma de arranjos produtivos, relevantes obras hídricas que poderão dar sustentação à agricultura especializada e à pecuária – ambos conectados à indústria de transformação. Rico potencial de variados tipos de turismo em todo o território. Invejável rede de instituições de ensino profissionalizante e Universitário espalhadas pelo Estado.  Um povo muito trabalhador, esperando, tão somente, oportunidades.

Basta, pois, lançar um olhar menos pessimista e injusto para com nossas potencialidades, abandonar o velho complexo de inferioridade que vez por outra nos assalta.

Antes, porém, faz-se necessário que importantes mudanças aconteçam no campo político, a partir da escolha dos dirigentes públicos, aqueles que vão gerir nosso dinheiro, aplicando-o de forma republicana, palavra tão usada e desrespeitada em nossos dias.

Procuremos votar nas pessoas certas. Não se venda aos que querem comprar sua consciência com o dinheiro que é seu, desviado em nebulosas transações como as que assombram o Brasil de hoje. Que abominemos a infeliz reunião de indivíduos diferentes do cidadão comum, os desprovidos de princípios morais, cuja mistura consideramos contrária aos bons costumes e aos superiores interesses da população.

Assuma esse compromisso com você mesmo em 2018.

(*) Economista

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“A justiça começa com a participação de cada cidadão. Cada um em seu espaço, agindo como cidadão. E nesse papel de cidadão, devemos orar pedindo orientação a Deus para fazermos a escolha certa de nossos políticos.” (Dom Frei Manoel Delson, Arcebispo da Paraíba).

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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