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Panorama do Emprego no Mundo

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 24 de julho de 2018 às 22:01

Recente estudo divulgado pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) – Perspectivas Sociais e do Emprego no Mundo – sobre as tendências respectivas a nível global, mostra importantes disparidades no crescimento econômico dos países em 2017 e as consequências na atividade laboral.

O PIB mundial cresceu 3,6% em 2017, ante 3,2% em 2016. Enquanto isso, no Brasil, tivemos um fraquíssimo aumento de 1%, após experimentarmos quedas sucessivas de 3,5% nos anos de 2015 e 2016.

Importa dizer, como registrado pela OIT que “a recuperação da economia foi generalizada, tanto nos países emergentes, em desenvolvimento e nos desenvolvidos”. O Brasil trafegou na contramão desse processo.

País emergente é aquele que superou a estagnação econômica e se encontra em processo de desenvolvimento. Já os países desenvolvidos são os que atingiram elevados níveis dos seus indicadores econômicos e sociais, na faixa mais alta do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, com taxa superior a 0,800. Quanto mais próximo de 1 for o IDH, mais desenvolvido é o país. Atualmente são listados 26 países nessa qualificação, começando com a Noruega – 0,944 – e terminando com a Espanha com 0,876

O fato é que o desemprego, a face mais cruel da crise nas economias nacionais, aflige quase 200 milhões de pessoas em todo o mundo, sem contar o subemprego e outras formas de desocupação por demais conhecidas, a mais significativa os que deixam de procurar trabalho, seja por desânimo ou por opção de outra natureza. A perspectiva é de que o aumento no número de empregos não seja suficiente para modificar essa realidade, mantendo-se estável o número de desempregados.

A OIT chama a atenção para a tendência do aumento do emprego vulnerável – trabalhadores por conta própria e trabalhadores familiares. Calcula-se que 42% dos trabalhadores do mundo (ou seja 1,4 bilhão de pessoas) se encontram em condição de vulnerabilidade.

Ressalte-se, ainda, que persiste a baixa remuneração dos trabalhadores, prevendo-se que, em 2018, os números das pessoas em extrema pobreza, mesmo que empregadas, superarão 114 milhões.

  • importante lembrar que desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho persistem: o déficit na participação das mulheres em relação aos homens é superior a 26%. E também na remuneração, mesmo que em funções idênticas.

Outro fato destacado pela OIT é a consequência da globalização da economia, das mudanças demográficas – menores taxas de natalidade e aumento da população idosa – da acumulação do capital e, principalmente, dos avanços tecnológicos. Isso, com certeza, ocasionará uma espécie de redesenho do perfil do emprego no futuro, com forte incremento do setor de serviços.

Vejamos a seguir resumo de estatísticas recentes sobre o panorama do desemprego em todo o mundo, que no conjunto engloba cerca de 200 países, segundo os organismos internacionais que tratam do assunto.

Para facilitar o raciocínio, classificamos alguns países de acordo com determinadas faixas de desemprego.

TAXAS DE DESEMPREGO NO MUNDO

PAISES DESEMPREGO (%)
Faixa – acima de 8% até 40%
Bósnia-Herzegovina 36,54
Brasil 12,10
Uruguai 8,12
Faixa – acima de 6% até 8%
Portugal 7,90
Canadá 6,00
Faixa – acima de 0,10% até 6%
Catar 0,10
Rússia 4,70

Todos os fatores apontados antes – a globalização, as mudanças no perfil demográfico, os avanços tecnológicos, a crescente globalização, a desigualdades de oportunidades em desfavor das mulheres e de outros segmentos da sociedade, somados às deficiências na formação profissional, estão presentes em nosso país.

As perguntas que ficam. Estará o Brasil preparado para enfrentar esse que pode ser considerado o maior de todos os problemas? Nossos governantes estão, verdadeiramente, preocupados com isso?

*Por Arlindo Almeida

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Arlindo Pereira de Almeida

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