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Panorama da educação no Brasil (I)

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 2 de abril de 2018 às 9:10

A cada três anos, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), através do PISA – Programa Internacional da Avaliação de Estudantes, realiza uma avaliação comparada de alunos matriculados em diversos países, a partir da 7ª série do ensino fundamental, na faixa dos 15 anos de idade.

No mais recente estudo, “Um Olhar sobre a Educação”, analisa os sistemas educacionais de 35 países membros da OCDE, e de dez outras economias, incluindo o Brasil.

A constatação primeira é de que estamos entre os que menos investem em educação fundamental, mas apresentamos gastos padrão europeu nas universidades.

Dispendemos anualmente US$ 3,8 mil por aluno até a 5ª série, menos da metade da média dos países da OCDE que é de US$ 8,7 mil. Apenas seis países gastam menos do que nós. No período final do ensino fundamental e no médio investimos a mesma soma, US$ 3,8 mil, enquanto a média na zona da OCDE é de $S 10,5 mil por aluno.

Em relação ao ensino superior, mostra-se um quadro gritante de desigualdade: o valor passa a US$ 11,7 mil por aluno, três vezes em relação ao fundamental e médio, na faixa de países como Espanha, Estônia; ficamos acima da Itália, República Checa e Polônia e, surpreendentemente, em nível superior à Coreia do Sul (US$ 9,6 mil).

O Brasil gasta, em média, três vezes mais com o aluno da universidade do que com os do básico. Mas, nos últimos anos, registre-se que houve significativo aumento nos investimentos de governo no Brasil; hoje a média nacional é de 4,9% do PIB ante a média de 5,2% nos demais países, mas a deformação do modelo de desigualdade persiste.

A edição de 2015 do Pisa, indica os alunos brasileiros dos níveis inferiores com resultados ainda em níveis muito baixos; as médias dos alunos brasileiros não avançaram nas três áreas avaliadas: matemática, leitura e ciências. Numa escala que vai de 2 a 6, mais de 2/3 dos alunos ficaram abaixo do nível 2, e a OCDE considera esse piso o “mínimo adequado para o exercício da cidadania. A maioria dos alunos brasileiros não é capaz, por exemplo, de interpretar e reconhecer situações que não exigem mais do que uma dedução direta”. Isso explicaria, por exemplo, o exercício equivocado do voto, elegendo pessoas sem a qualificação para os cargos, principalmente os seus princípios morais?

Mas, números à parte, precisamos cortar o nó górdio de todas as questões que envolvem a educação, que convergem para um ponto inquestionável: o professor.

Continuemos com a OCDE. “Sem resolver os desafios de formação e valorização de professores, o país não vai conseguir avançar. O principal fator de sucesso do aluno é a qualidade do professor. Enquanto tivermos essa condição de baixa atratividade docente, sem conseguir formar profissionais na área específica e com qualidade, não temos a menor condição de melhorar”.

Não podemos, em hipótese alguma, transferir ao professor o ônus de políticas equivocadas, da ausência do um sistema de responsabilização que indique claramente o papel de cada ator – comunidade, governo, professores.

Qual tem sido a participação dos pais no acompanhamento efetivo das atividades dos filhos na escola? Têm os governantes conferido transparência às suas ações e realizado os investimentos em instalações condignas? os quadros de carreira são instrumentos de remuneração justa, progresso funcional e atração de novos docentes? Quais os programas de aperfeiçoamento dos docentes? Existem bônus pelos progressos dos alunos em testes tipo PISA?

É possível ter mais saúde, mais segurança, menos corrupção, mais empregos, exercer conscientemente os direitos de cidadania, com uma população pouco alfabetizada?

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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