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Pagando pelos erros do passado

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 27 de maio de 2018 às 11:02

A greve de caminhoneiros que o Brasil vem enfrentando, põe a nu uma questão originada há dezenas de anos, e, para a qual os governantes nunca dedicaram o menor dos seus cuidados.

Desde a implantação da indústria automobilística, o Brasil “apostou suas fichas” no transporte sobre rodas como forma de integrar o país.

Não que a indústria automobilista seja um mal em si; o errado foi desprezar os outros meios de transporte, tornando-nos  dependentes de fontes não renováveis de combustível, que, a longo prazo, não vão mais existir. Modelo
incompatível com as dimensões do país.

Modais de transportes já estabelecidos, foram relegados a segundo plano. A ferrovia e o transporte aquático, de resultados econômicos mais altos e de significativos impactos na competitividade do país, foram, na prática, abandonados. Optamos pelo transporte mais caro.

Para efeito de comparação, mostramos abaixo a rede ferroviária em alguns países, quase todos mais adiantados que o nosso.

No quadro 2, a seguir, mostramos como é feito o transporte no Brasil e nos países selecionados, nos diversos modais. Temos mais de 1,6 milhão de quilômetros de estradas, com apenas 200 mil pavimentados, e dos quais 75% possuem problemas de variada natureza, cujo estado de conservação é  considerado como péssimo, ruim ou deficiente. O Brasil possuí cerca de oito mil quilômetros de costa marítima e 40 mil quilômetros de rios navegáveis e apenas 14% das cargas utilizam esses recursos. Todo esse imenso potencial está sendo mal aproveitado e o país paga por isso.

No Brasil, a correlação entre o preço dos combustíveis e a matriz do sistema de transportes é muito forte. O mal-uso de um e as deficiências do outro, tendem a criar um clima de tensão permanente que só atrapalha o desenvolvimento do país.

A produção de petróleo no Brasil, em 2017, alcançou a média recorde de 2,15 milhões de barris por dia, dos quais 60% retirados do pré-sal. O consumo é da ordem de 3,1 milhões de barris/dia, o que obriga o país e comprar no mercado externo pelo menos um milhão de barris todos os dias, a preços flutuantes. Em 2017, as compras no exterior foram algo como 225 milhões de barris, mostrando uma dependência difícil de ser solucionada.

Não se pode colocar a responsabilidade pela superação do problema apenas na Petrobras, salientando que a desastrada política de preços vigorante até outubro de 2016, quase destroçou a estatal.

Lembremos, sempre, que do preço final do diesel, os impostos somam, em média, 28%; na gasolina, 45%. Na Paraíba, a carga tributária é 29% para a gasolina e 18% para o diesel.

No curto prazo, não será possível superar o impasse, sem mexer na carga tributária da União e dos Estados, sendo tacanho o argumento de que o problema é apenas do governo federal. A longo prazo – a perder de vista – temos que melhorar nossa matriz de transportes. A primeira é tarefa para os dirigentes de hoje, a segunda fica para as futuras gerações, e que elas tenham o bom senso, algo tão escasso nos dias de tormenta que hoje atravessamos.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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