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Padre Edvaldo

Dom Genival Saraiva. Publicado em 31 de julho de 2017 às 9:13

Por Dom Genival Saraiva (*)

A referência da vida de um diácono, de um sacerdote e de um bispo é o serviço ao povo de Deus. A vocação sacerdotal, por natureza, tem esse endereço. O longo processo de formação de um candidato ao sacerdócio segue um percurso que está previsto nas disposições normativas da Igreja; há normas de caráter universal e outras que levam em consideração as peculiaridades de determinado continente, nação, região; há normas antigas e normas atuais, a exemplo do recente Documento da Congregação para o Clero “O dom da Vocação Presbiteral” (Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis) que aponta a direção da formação de um “discípulo sacerdote” na realidade contemporânea. De qualquer forma e em qualquer tempo, esse processo formativo deixa marcas na vida dos seminaristas, muitas delas indeléveis porque, por assim dizer, se tornam parte do seu ser. Indelével, como tal, é o caráter que imprime o Sacramento da Ordem na vida de quem o recebe, no grau diaconal, presbiteral, episcopal. Quando dispensado pela Igreja, por razões diversas, conforme as normas canônicas, ele deixa de exercer o ministério, mas jamais deixa de ser diácono, presbítero, bispo.

Pe. Edvaldo Gomes passou por esse longo processo formativo; porém a formação, recebida na família e no seminário, não passou em sua vida porque a aplicou no exercício de seu ministério sacerdotal na Arquidiocese de Olinda e Recife. Desde sua ordenação presbiteral, exerceu as funções sacerdotais a serviço do povo de Deus, em diversas frentes de trabalho; em termos de tempo, o paroquiato à frente da Paróquia de Casa Forte é o registro de maior duração em seu trabalho pastoral. As marcas de seu pastoreio estão presentes no coração das pessoas, identificadas na sua ação evangelizadora, visíveis no seu profetismo e retratadas nas obras sociais que falam de sua solicitude pastoral com pessoas e categorias sociais mais necessitadas do apoio solidário da comunidade. Ao Pe. Edvaldo aplicam-se também essas palavras de outro Documento recente da Igreja – “Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros”: “Depois dum certo número de ano de ministério, os presbíteros adquirem uma grande experiência e grande mérito de se terem gasto pela dilatação do Reino de Deus no trabalho quotidiano. Estes sacerdotes constituem um grande recurso espiritual e pastoral.” A Arquidiocese de Olinda e Recife teve em seu presbitério sacerdotes que gastaram sua vida, em seu “trabalho quotidiano”, em favor do povo de Deus, como estes recentemente falecidos – Pe. Arnaldo Cabral e Pe. Edvaldo Gomes. Todas as pessoas são falíveis e, assim, nelas revelam-se os limites da fragilidade humana, como a doença que afeta o seu corpo ou a sua mente, e da longevidade, com a morte. Em que pese a morte desses sacerdotes ser a evidência dos limites humanos, não há como não vê-los entre aqueles que o salmista reconhecia como vitoriosos: “Setenta podem ser os anos de nossa existência, oitenta anos, se ela for vigorosa. Mas a maior parte deles é agitação, cansaço e ilusão, pois passam depressa, e nós voamos.” (Sl 89,10)

As gerações atuais de presbíteros de todas as Dioceses, Ordens e Congregações Religiosas encontram na memória de irmãos sacerdotes falecidos o testemunho de “grande experiência”, o reconhecimento de “grande mérito” e o exemplo de “grande recurso espiritual e pastoral”, bens de que necessitam para serem fiéis à sua missão.

(*) Bispo Emérito de Palmares – PE

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Dom Genival Saraiva

*Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba

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