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Campina Grande - PB

Os Ramalho

06/06/2017 às 8:19

Fonte: Da Redação

Por Noaldo Ribeiro (*)

Numa overdose o Museu de Arte Popular da Paraíba, batizado popularmente de Museu dos Três Pandeiros, disponibiliza ao público fragmentos da obra e vida de quatro ilustres Ramalho: Elba, Zé, Lourdes e Luiz.

Trata-se, mais que uma homenagem, de uma demonstração da força musical brasileira de matriz paraibana, mas com conteúdo e linguagens universais. A esse respeito não precisa de maiores argumentos. Basta passear pela obra de cada dos ramalho em cartaz nessa exposição.

A dramaturgia de Lourdes, em que pese o linguajar regionalista, traz a substância de tramas comuns à raça humana, passíveis de se passar nos sertões nordestinos, nas metrópoles brasileiras ou nas capitais europeias.

A poesia de Luiz, mesmo enveredando pelo confessionalismo romântico, fala com as mais variadas vertentes sociais, sob a benção de finos toques de um violão plangente, iluminando, a despeito da sentimentalidade, uma estrada de sorrisos.

Zé é um alquimista contemporâneo. Num só caldeirão, maneja poções da tradição dos repentistas nordestinos com acordes da jovem guarda, Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones. Sua criatividade produz metáforas fantásticas, lastradas por uma imensa fragilidade de um chão de giz, mas ladrilhada por fotografias recortadas e confinadas num pano de guardar confetes, pronto para ser jogado nas colombinas do seu imaginário.

Elba é uma linha divisória. O casamento, sem resistência, entre a cantora e a atriz, redefiniu o conceito de intérprete, tornando-a a maior de todas, senão a perfeita. Não à toa gravou os mais substantivos nomes da MPB, lançou vários compositores e, ao subir nos palcos do país, reina soberana. Se Luckács dizia que “toda citação é uma forma de interpretação”, Elba é bem mais que cúmplice do seu refinado repertório.

Quem não foi à abertura dessa exposição, de dose quádrupla, no último dia 21 de maio, no Museu dos Três Pandeiros, perdeu de assistir a materialização de Elba chegando a seu aconchego. Com uma simplicidade franciscana ela conversou com um público de sorte, como quem conversa na conzinha com os melhores amigos. Sem a empáfia de Júlio César, descreveu a sua saga condensada na famosa frase: “Veni, vidi, vici” ou “Vim, vi, venci”, sem a menor necessidade de se valer de espadas ou fuzis.

A exposição “Os Ramalho da Paraíba”, continua, e todos estão convidados.

(*) Ativista cultural

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