Fechar

Fechar

Os preços na economia

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 9 de julho de 2018 às 8:36

A inflação tem sido preocupação constante de autoridades da área econômica, dos agentes de mercado – empresas, bancos, prestadores de serviço – e das pessoas de modo geral.

Por definição, a inflação é um aumento, de pouca ou longa duração, dos preços da economia. É a carestia. E reúne duas características que se manifestam isolada ou cumulativamente: 1º Inflação de custos, quando aumentam as despesas das empresas para produzir os bens que precisamos e os preços sobem; e 2º inflação de demanda quando a produção não é suficiente para atender a todos os consumidores. Foi o que aconteceu no Brasil durante a recente paralisação dos caminhoneiros: produtos de preços mais elevados e as pessoas querendo comprar mais.

O pior é quando a inflação fica fora de controle tornando os produtos para o consumidor cada vez mais caros. Isso já ocorreu no Brasil antes do Plano Real, que, finalmente, colocou a inflação do Brasil em patamares civilizados. Quem não se lembra das filas nas portas dos supermercados, em plena madrugada?

Hoje o Banco Central do Brasil divulga o chamado Boletim Focus, que mostra as expectativas do mercado quanto aos rumos da inflação, tomando por base a variação do nível de preços ao consumidor (IPCA). O IPCA, divulgado pelo IBGE, reflete o custo de vida para famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos.

Recentemente tivemos uma elevação da taxa de inflação, em virtude do aumento de custos das empresas, falta de produtos ou aumento da procura por parte da sociedade. Se há três semanas a taxa de inflação era de 3,65, no último Boletim Focus, ela subiu para 4,03 hoje. A meta de inflação para 2018 é de 4,5%, podendo variar entre 3% e 6%. A expectativa é de que permaneça em torno de 4% até 2021.

O Boletim também divulga estimativas que merecem nossa atenção, para:

1º O PIB – cuja previsão de crescimento há quatro semanas era de 2,18% ao ano, em 2018, foi reduzida para 1,55%. Para 2019, 2020 e 2021 está previsto um crescimento de 2,5%. Com essa taxa o Brasil não vai sair do buraco com facilidade.

2º A DÍVIDA LÍQUIDA DO SETOR PÚBLICO – que foi de 55% sobre o PIB, em 2018, passa para 61,75% em 2021. E o governo para resolver o grave problema, ao invés de cortar gastos, fica sempre tentado a aumentar os impostos, num país que já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo.

A inflação é um fenômeno que se repetiu durante boa parte do século XX e hoje ainda assombra algumas economias nacionais, mas, no geral, está estabilizada na maioria dos países.

No quadro abaixo, é mostrado o comportamento da inflação pelo mundo (dados de maio de 2018)

Em cada um desses países, os componentes dos preços são diferentes daqueles do Brasil. Nesses territórios nacionais a realidade é outra e a inflação tem suas próprias identidades.

Voltemos, portanto ao Brasil e aos nossos problemas.

O DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos, entidade que presta inestimáveis serviços ao país, utiliza uma cesta básica, ou ração essencial mínima objetivando acompanhar a evolução dos preços, em pesquisas mensais realizadas em algumas capitais. A cesta básica varia de região para região, seja pela oferta insuficiente ou pelas preferências dos consumidores. Pela configuração econômica própria de cada localidade, os preços não são iguais e, portanto, o índice de inflação é diferente. É importante lembrar que a carga tributária, que varia de estado para estado, traz fortes impactos sobre os preços.

A cesta básica escolhida pelo DIEESE é composta de Carne, Leite Feijão, Arroz, Farinha, Batata, Tomate, Pão francês ou de fôrma, Café em Pó, Frutas (Banana), Açúcar, Óleo ou banha e Manteiga. E os seus preços são diferentes de localidade para localidade. Infelizmente ainda não se adotou no país a isenção tributária generalizada sobre a cesta básica, que vem a onerar o orçamento das famílias de menor renda.

Outro fator que contribui para a escalada de custos são os preços cobrados por monopólios e carteis. O monopólio é quando um só vendedor controla a oferta – empresas de energia ou de água por exemplo. O cartel é a união de umas poucas empresas que se unem para praticar os preços que mais lhes convêm, via de regra, com o beneplácito do poder público – caso dos transportes, serviços médicos, medicamentos, etc.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

falecom@fhc.com.br

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube