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Os preços da gasolina

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 30 de abril de 2018 às 8:35

A Petrobras, que estabelece, na prática, os preços dos combustíveis do Brasil, adotou a política de revisar, em curtos espaços de tempo, os valores a ser pagos pelos consumidores, a depender das condições da oferta no mercado internacional e das variações cambiais (dólar).

Nesta sexta-feira, dia 20, foi anunciado um aumento no preço da gasolina e diesel nas refinarias. O valor médio da gasolina passou de R$ 4,198 para R$ 4,221, por litro, alta de 0,54%. A Petrobras também baixou o preço do combustível nas refinarias em 3,68% seguindo sua política de preços inaugurada em julho de 2017, que, desde então, já acumula alta de 20,25%. O repasse ou não para o consumidor final depende dos postos.

A composição de preço de um litro de gasolina no Brasil, é a que segue:

O preço praticado ao consumidor é composto por três parcelas: 1ª realização do produtor (ou importador), incluindo-se aí quanto cobra a refinaria pelo que produz (ou importa) mais o preço pago na compra do álcool às usinas para mistura de 27% com a gasolina; 2ª. tributos e 3ª custos de distribuição e revenda. No Brasil, o valor de comercialização equivale às margens brutas de distribuição e revenda pelos postos de gasolina, estes objeto de intensa fiscalização do PROCON, que, infelizmente, nada pode fazer em relação à grande cadeia que abrange o setor.

Quanto aos tributos, o ICMS é a parcela paga aos estados. A CIDE, PIS/PASEP e COFINS correspondem à tributação federal. Os tributos estaduais e federais somam 45% do preço de revenda.

Nos Estados Unidos a carga de tributos é, em média, 21,6%. Se no Brasil os tributos fossem iguais, um litro de gasolina que custasse (e hoje não custa mais) R$ 3,974, passaria a ser de RS$ 2,66.

Nos estados brasileiros, a carga é desigual. Em estudo da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes, o total de tributos pagos aos estados varia de R$ 2,246 por litro de gasolina, no Rio de Janeiro – o segundo PIB do Brasil- a R$ 1,639 no Amapá. A Paraíba ocupa a 13ª posição com R$ 1,842/litro – 46,35%, um pouco acima da média nacional.

Registre-se que estatísticas internacionais apontam que a gasolina vendida nos postos brasileiros – US$ 1.30 – é a segunda mais cara dentre os 15 países que mais produzem petróleo no mundo, só perdendo para a Noruega.

Por fim, para efeito de comparação, vejamos alguns preços no mundo

No Brasil somos muito sensíveis às oscilações dos preços de combustíveis, pela extrema dependência do transporte, sobre pneus, de cargas e de passageiros; sistema deficiente e de custos operacionais altos que impactam diretamente a produtividade e a competitividade do país. É um fator, que se junta a muitos outros, de desequilíbrios clássicos em nossa economia, grande desafio a ser vencido pela sociedade.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

falecom@fhc.com.br

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