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Campina Grande - PB

Os desafios da Academia de Letras de Campina

23/06/2017 às 8:41

Fonte: Da Redação

Por Josemir Camilo de Melo (*)

Neste ano, em que se comemora o centenário de um dos maiores críticos de artes, no Brasil, na década de 1940 e 1950, o campinense, Rubens de Agra Saldanha (1917-1955), a casa de que ele é um dos patronos, a Academia de Letras de Campina Grande se encontra com fortes desafios pela frente.

A Academia foi fundada em 1981, por uma plêiade de intelectuais, nativos e adotados, tendo à sua frente, Amaury Vasconcelos e Aluízio Campos, entre outros. Embora reconhecida de utilidade pública, tanto por lei municipal (em 1984 – iniciativa do então vereador Félix Araújo Filho), como por lei estadual (dois anos depois, por iniciativa do deputado José Luiz Júnior), isto não lhe rendeu nenhum apoio financeiro. A ALCG, desde então, sem sede própria, tem sido carregada, como num exercício do mitológico Sísifo, a cada gestão, por seu presidente. Durante muito tempo foi acolhida na residência de seu fundador, o saudoso Amaury Vasconcelos; em seguida, em casa do segundo diretor-presidente, Moacir Germano Brasil. Até que uma instituição, o Memorial Severino Cabral, com apoio da Prefeitura, e graças à generosidade da família Cabral, adotou a Academia em seu belo edifício. Novas mudanças de casa e de direção, assume a direção da casa, o professor Ailton Elisiário, e a Academia passa a ser acolhida pela FURNE, até onde permanece, hoje. Portanto, os confrades me escolheram para ser o quarto diretor-presidente, nestes 36 anos de sua existência.

A situação, hoje, do seu quadro é preocupante, pois de suas 40 cadeiras, encontram-se preenchidas e empossadas apenas 25, sendo que, destas, nove membros residem fora da cidade e, até, do Estado. Além destas, o nosso quadro tem sido desfalcado, ultimamente, de grandes nomes por suas passagens à imortalidade, do Jardim de Academus ao Panteon, ao lado de Mnemosine (a deusa da Memória). Subiram à memória, o Padre Ruy Vieira (de Areia), Amaury Vasconcelos, Ronaldo Cunha Lima, Stênio Lopes, José Laurentino, Rômulo Araújo, Celso Pereira, Ademar Martins Leite e, mais recentemente, José Farias Tavares, Hermano José Bezerra, Molina Ribeiro, Paulo Gustavo Galvão e Moacir Germano Brasil. Dos 16 membros residentes na cidade, três ou quatro se encontram com a saúde debilitada, resultando em apenas uma dúzia de membros ativos ou disponíveis para os compromissos da Academia, já que alguns passaram a residir na capital, em outras cidades e fora do estado.

Das quinze cadeiras vacantes, nove delas já tiveram seus eleitos, mas não tomaram posses, por motivos particulares, ou por estarem lapidando seus discursos de posse. Entre eles se encontram nomes destacados na produção literária e cultural da cidade, como o poeta e advogado, José Edmilson Rodrigues, o psiquiatra e sociólogo, Edmundo Gaudêncio, o ativista cultural, João Dantas, o Doutor em História, Alarcon Agra do Ó, o artista, Frederico (Fred) Ozanan, o jornalista, José Arimateia Souza, o engenheiro e escritor, Daniel Duarte Pereira, os romancistas, Efigênio Moura e Juviniano Cantalice. Estes são os nossos próximos imortais.

Assim sendo, a ALCG, até então, presidida pelo professor Ailton Elisiário, procedeu, no dia 19 de junho, a eleição para a nova diretoria, que ficou assim constituída, para o próximo biênio: este colunista, Josemir Camilo de Melo, diretor-presidente, a escritora e advogada, Mabel Teixeira de Amorim vice-presidente; o historiador e professor Bruno Rafael de Albuquerque Gaudêncio, secretário; o médico, Dr. Evaldo Dantas da Nóbrega, tesoureiro; e o médico e colunista político, Dr. José Morais Lucas, diretor da Biblioteca. Cabe, agora, não só a esta diretoria, como aos postulantes eleitos, uma maior interatividade para com a cidadania campinense.

Esperamos bons ventos.

(*) Professor, historiador, presidente da ALCG

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