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Campina Grande - PB

Oração ao amigo sumido…

08/09/2017 às 12:51

Fonte: Da Redação

Por Jurani Clementino (*)

Aí inventam um domingo em plena quinta-feira.
Aí você passa horas e horas falando de psicanálise porque ele gosta.
Aí você desabafa sobre o passado e o presente. Falando sobre pessoas. Sobre bichos. Sobre amores, desamores.
Tratamos da doçura dos esnobes e da agressividade dos dóceis…
Aí, invocamos Chico César: “Deus me proteja, da maldade de gente boa e da bondade da pessoa ruim”.
Aí descobrimos que estamos desestabilizados… e publicamos isso.
Falamos sobre nudez, nossa nudez diante do outro.  Aquela nudez que na hora não te envergonha, mas depois te rouba a alma.
Aí você diz que conhecia o desconhecido. Que pequeno mundo. Tarde demais. O rei estava nu.
Aí você diz que não disse nada pra não machucar, mas hoje acha que devia ter dito… Não, não devia. Tua dúvida sempre será a certeza absoluta.
Aí ficamos horas e horas falando sobre os textos, as poesias, as interpretações magistrais de Maria Bethânia. Morrendo aos poucos de inveja. Dois despeitados. Trocamos vídeos. Enviamos e recebemos poemas… compartilhamos a solidão das madrugadas.
Aí você escuta dele que tá pensando em ir embora. Pegar o primeiro avião pra Capital Federal.
Aí, mesmo querendo dizer não, você diz: vai. Mas você mesmo, que já está calejado de andar, diz que não vai.
Aí você resume sua vida a uma sucessão de acasos E atribui a esses acasos o pouco sucesso dessa vidinha besta.
Aí a noite passa. As horas passam. Já é um novo dia…
Aí você percebe que varou a madrugada em claro. Jogando conversa fora.
Aí descobre o quão importante é tê-lo por perto. Para chamá-lo de amigo.
Aí remarcamos, pela enésima vez, aquele vinho prometido. Um singelo pedido de desculpas pelas ausências.
As almas precisam se reaproximar.
Amém.

Jurani Clementino – Campina Grande 08 de setembro de 2017

(*) Jornalista, escritor, professor

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