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Oração a Deus

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 17 de outubro de 2018 às 8:31

Nos dias que passam, constitui tarefa hercúlea falar sobre a economia de nosso país, à falta de novidades, e ninguém está ligando para isso. Todos pensamos apenas na disputa política e nas eleições. E haja mentiras e tentativas de galgar o poder sem apresentar um projeto digno desse nome, que tire o Brasil do atoleiro em que perdido.

A este pobre escrevinhador de província, resta apenas apelar para mentes mais lúcidas.

Voltaire, (1694-1778), um dos maiores gênios da humanidade, foi um filósofo e escritor francês, um dos grandes representantes do Movimento Iluminista na França. Foi também ensaísta, poeta, dramaturgo e historiador. Pelas suas notórias divergências com a cúpula da Igreja de então, foi tachado de ateu. Em matéria de religião, o filósofo não deixou de revelar seu ponto de vista e, embora não tendo sido ateu, nem católico, pediu que lhe fosse dada a extrema unção. “Eu quero que meu advogado, meu alfaiate e minha mulher acreditem em Deus; assim, imagino, serei menos roubado, menos enganado”, dizia Voltaire.

Se Voltaire era ateu é julgamento de cada um. Pergunto eu: é possível um ateu escrever o que disse na sua Oração a Deus? “ORAÇÃO A DEUS (*) Não é mais aos homens que me dirijo, é a ti, Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos. Se é permitido a frágeis criaturas perdidas na imensidão e imperceptíveis ao resto do universo, ousar te pedir alguma coisa, a ti que tudo criaste, a ti cujos decretos são imutáveis e eternos, digna-te olhar com piedade os erros decorrentes de nossa natureza. Que esses erros não venham a ser nossas calamidades.

Não nos deste um coração para nos odiarmos e mãos para nos matarmos.

Faz com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida difícil e passageira; que as pequenas diferenças entre as roupas que cobrem nossos corpos diminutos, entre nossas linguagens insuficientes, entre nossos costumes ridículos, entre nossas leis imperfeitas, entre nossas opiniões insensatas, entre nossas condições tão desproporcionadas a nossos olhos e tão iguais diante de ti; que todas essas pequenas nuances que distinguem os átomos chamados homens não sejam sinais de ódio e perseguição; que os que acendem velas em pleno meio-dia para te celebrar suportem os que se contentam com a luz de teu sol; que os que cobrem suas vestes com linho branco para dizer que devemos te amar não detestem os que dizem a mesma coisa sob um manto de lã negra; que seja igual te adorar num jargão formado de uma antiga língua, ou num jargão mais novo, que aqueles cuja roupa é tingida de vermelho ou de violeta, que dominam sobre uma pequena porção de um montículo da lama deste mundo e que possuem alguns fragmentos arredondados de certo metal usufruam sem orgulho o que chamam de grandeza e riqueza, e que os outros não os invejem, pois sabes que não há nessas vaidades nem o que invejar, nem do que se orgulhar.

Possam todos os homens lembrar-se de que são irmãos! Que abominem a tirania exercida sobre as almas, assim como execram o banditismo que toma pela força o fruto do trabalho e da indústria pacífica! Se os flagelos da guerra são inevitáveis, não nos odiemos, não nos dilaceremos uns aos outros em tempos de paz e empreguemos o instante de nossa existência para abençoar igualmente em mil línguas diversas, … tua bondade que nos deu esse instante.”

(*) VOLTAIRE, em “Tratado sobre a tolerância”, 1763.

Elevemos nosso coração a Deus e peçamos pelo Brasil, país contraditoriamente tão rico e tão pobre. Rico de recursos naturais e pobre de valores morais.

De potencial econômico imenso convivendo com a injustiça social. Em que os interesses de grupo, ocultos sob a capa de ideologias espúrias, estão a comprometer centenas de anos de construção de uma nação desenvolvida a justa, transformando-nos em mais uma republiqueta tão comum entre nossos vizinhos nas Américas e na África.

É a dissolução dos costumes, o crime sob as suas mais variadas formas, políticos inescrupulosos e a impunidade, para os poderosos, institucionalizada; e ninguém se lembra dos valores do dever e do bem.

Esquecem-se dos pobres, dos famintos, usados apenas como massa de manobra para satisfação de apetites inqualificáveis, da ideia que cega dos pretensos salvadores da pátria.

Não desanimemos! Peçamos a Deus que mande seu Espírito para iluminar nossos caminhos. Batamos à porta insistentemente e ela, com certeza, se abrirá.

Oh Deus, que nunca abandonas teus filhos, tende compaixão dos brasileiros.

“Do mal será queimada a semente e o sol há de brilhar”.

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