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O preço da liberdade

Ailton Elisiário. Publicado em 26 de novembro de 2018 às 12:50

Concluído o processo eleitoral, restaram duas realidades: de um lado, a vitória com sua glória e, de outro lado, a derrota com seu amargor. É sempre assim, após os embates, não importa a natureza deles. No entanto, o ser humano há que entender que isto é parte da vida e que deve aceitar pacificamente o resultado, qualquer que seja ele. A vida é luta constante, com altos e baixos, com avanços e recuos, com alegria e tristeza.

O que dá alegria é a realização dos desejos, o que produz a tristeza é a sua não realização. Vivemos num país democrático, onde o que prevalece é a decisão da maioria. Diante disto, a minoria há que se curvar. Alegria para a maioria, tristeza para a minoria. Mas, isto não significa o fim. A vida permanece, a luta continua, os desejos se multiplicam, as mudanças acontecem, as tristezas se mudam em alegrias e as alegrias em tristezas.

O povo brasileiro resolveu mudar, retornando à situação de antes. E isto porque a mudança que havia produzido há 16 anos se extraviou das perspectivas e extrapolou os limites. Nada de excessos, nada de desvios. O que o povo quer é viver livre e feliz, não escravo de ideologias estranhas e, muito menos, de lideranças questionáveis. A ambição, a ganância e a ideologia alienígena foram as causas desse retorno.

O processo democrático no Brasil tem sido interrompido periodicamente desde a proclamação da República. Poucos foram os períodos de real democracia na vida republicana brasileira. O período mais longo é o atual, no qual a Constituição Cidadã completou agora 30 anos de vigência. Porém, este período já havia começado a ser ameaçado, com a figura de uma democracia corroída por uma falsa imagem de democracia que escondia a ditadura do proletariado.

Os próprios combatentes da chamada ditadura militar, que ascenderam ao poder, disseram que na verdade não lutavam pela democracia, mas sim pela ditadura do proletariado. E foram eles os causadores da crise atual, planejada para o estabelecimento do caos e a tomada do poder de forma não democrática. José Dirceu afirmou alto e em bom som que o poder seria tomado de qualquer forma. E quem produz o golpe são os outros, não eles.

Agora, com a derrota eleitoral, são eles que se arregimentam e se põem a postos com os propósitos de tentarem impedir que a vontade popular seja realizada. Não respeitam a vontade do povo brasileiro, que dizem tudo fazer por ele e para ele. Mas que, na verdade, tudo fazem para os seus interesses. O povo brasileiro reconheceu que estava sendo iludido e ludibriado. E reagiu à altura.

Ao estadista irlandês John Philpot Curran (1750 – 1817) é atribuída a frase: “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. De certo, não há liberdade em nenhum tipo de ditadura, mas tão só na democracia, quando esta é uma democracia de verdade. Em caso contrário, a consequência inevitável é a servidão. Felizmente o povo brasileiro estava atento e deve permanecer vigilante. Porém, como o poder é corruptor e sempre tira de muitos em benefício de poucos, estar atento para não permitir um futuro sombrio é o que se exige de cada cidadão.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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