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O petróleo no mundo e no Brasil

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 5 de dezembro de 2018 às 10:31

As discussões a respeito do preço dos combustíveis no Brasil remetem a uma reflexão sobre a importância desses produtos para todo o planeta.

Com efeito, após a descoberta do primeiro poço de petróleo na Terra, em meados do século XIX, passamos a depender, de forma crescente, desse recurso mineral. É um produto não renovável e a tendência é que as reservas diminuam com o passar do tempo, ou mesmo que desapareçam. Pelos cálculos atuais o petróleo vai se esgotar em 40 anos, dependendo da descoberta de novas reservas, da melhoria da produtividade dos poços e da evolução do consumo.

Assim, são fundamentais as pesquisas sobre o uso de energias alternativas, de fonte renováveis, de modo a permitir o desenvolvimento das ações do homem. Também é necessário descobrir novas fontes supridoras de matérias primas para outros usos e não apenas combustíveis.

A exploração do petróleo é complicada, exigindo muita tecnologia. investimentos altíssimos, e uma logística de transporte eficiente, de modo a garantir a oferta em bases seguras, afastando a possibilidade de uma interrupção no fornecimento.

O volume de petróleo produzido anualmente, vendido ao preço atual de US$ 85.00 o barril, representa valor superior a US$ 3 trilhões, maior do que o Produto Interno Bruto do Brasil. Mas o petróleo não é consumido bruto, necessitando de transformação em  derivados, que são a forma exclusiva de utilização, como combustíveis e lubrificantes, fertilizantes, asfalto, cosméticos, indústria farmacêutica, plásticos, tecidos sintéticos, produtos de limpeza, corantes para alimentos, etc.

Não será exagero multiplicar por quatro o valor agregado pela indústria de transformação ao preço original de um barril; teríamos, pois, algo da ordem de US$ 12 trilhões/ano, ou 60% do PIB norte-americano em 2018.

No resumo abaixo, mostramos os maiores produtores mundiais de petróleo:  reservas, produção em barris/dia e seu valor de mercado. Chama a atenção o fato de a Venezuela, com as maiores reservas mundiais, ter a inexpressiva participação de 2% na produção, enquanto a Arábia Saudita, o segundo colocado no ranking, responde por 10%, ou cinco vezes mais.

Após a descoberta do pré-sal, teoricamente, o Brasil tornou-se autossuficiente na produção de petróleo, com mais de 2,6 milhões de barris/dia. O pré-sal já fornece 1,763 milhão de barris de óleo por dia, ou 65% da produção nacional. 94% do nosso petróleo vem da área marítima.

O pré-sal é uma grande reserva de petróleo, de extração muito trabalhosa e cara, pois é encontrado na plataforma continental do Brasil, a 300 quilômetros da costa e a uma profundidade de cerca de sete quilômetros. Pouquíssimas empresas no mundo, talvez nenhuma outra, seja capaz de operar nessas condições, a não ser a Petrobras, gigante mundial em competência na área.

No entanto não nos livramos, ainda, da importação de petróleo e derivados, seja por razões técnicas ou econômicas. Acontece que o nosso petróleo, na sua maioria, é do tipo pesado, necessitando de ser misturado a categorias mais leves para ser refinado. Assim, exportamos óleo mais pesado, cujos preços são menores, e importamos o petróleo leve, a custos mais altos.  Atualmente a capacidade de nossas dez refinarias é de dois milhões de barris/dia, 75% da produção de petróleo bruto. Por isso, em maio, as importações de combustíveis devem ter sido da ordem de um bilhão de litros, segundo a Fundação Getúlio Vargas.

A Petrobras tem investido nas refinarias para melhorar a capacidade operacional de refino do petróleo; a tendência é diminuir as importações. Mas é indispensável acelerar esse processo, a fim de adquirirmos a autonomia no refino. Com isso, o mercado interno deverá se estabilizar, evitando esse vai-e-vem de sobe e desce de preços.

Mas restam graves problemas a resolver. Dois deles: 1º Refinaria Abreu e Lima – após quatro anos de operação, a partir de 2014, processa menos da metade de sua capacidade. O orçamento original de US$ 2,3 bilhões aumentou para US$ 20,1 bilhões. É considerada a refinaria mais cara do mundo, e está à venda por ser inviável economicamente.  2º Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – com orçamento estimado de US$ 6,1 bilhões, em 2014 o projeto começou a ser abandonado. Nunca funcionou e o Tribunal de Contas da União estima em R$ 45 bilhões os prejuízos do projeto. É o preço da corrupção que infelicitou a estatal.

Por isso, o Brasil ainda importa derivados de petróleo.

No gráfico, a comparação entre produção, exportação e importação de petróleo no período 2005-2018.

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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