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O futuro da Paraíba

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 16 de janeiro de 2019 às 10:23

Reconhecendo o trabalho realizado pelo Ex-Governador Ricardo Coutinho, em obras e, principalmente controle das contas públicas de nosso Estado, é forçoso dizer que o quadro de relativa pobreza da Paraíba, ainda está distante de ser revertido. Mas a mudança dessa realidade não dar-se-á em curto prazo, precisando da persistência e da competência dos nossos dirigentes e cidadãos.

Pela sua posição estratégica, tornando-se única em um modelo logístico integrado para o Nordeste, e por contar com alguns setores de reconhecidas vantagens competitivas, a Paraíba reúne as melhores condições para um desenvolvimento mais rápido em segmentos já consolidados e outros emergentes, exigindo a união de Governo e de empresas de todos os portes em um projeto consistente de crescimento.

A correção das desigualdades econômicas e sociais, que vimos abordando com frequência, não acontecerá tirando de quem tem para dar a quem não tem: os que não tem formação profissional, emprego e renda, devem receber os estímulos necessários à sua ascensão na pirâmide da participação no produto.

Registremos o fato indiscutível da falta de maiores investimentos nos setores que efetivamente geram riqueza e empregos. Governo não gera empregos, apenas despesas, e a torcida é que sempre administre bem o caixa do tesouro. Quem gera emprego é empresa.

A concentração da renda é um fato: 60% do Produto Interno Bruto do estado está em apenas sete municípios e estes têm 41% da população total. A área metropolitana da capital, com 27,51% da população tem um PIB correspondente a 42,37% do estadual.

Paraíba Online • O futuro da ParaíbaA Paraíba tem 7% da população do Nordeste e 6,58% do PIB da região. Somos 1,9% da população do Brasil e temos 0,94% do PIB nacional. Isso significa que nosso produto per capita é a metade do indicie nacional.

Nossa economia é marcada por forte dependência de fontes externas para satisfazer a demanda interna.

O último levantamento sobre os fluxos de comércio da Paraíba, mostra que as saídas de bens/serviços no mercado interno foram 42% menores que as entradas. Enquanto vendemos R$ 21,433 bilhões, efetuamos compras de R$ 30,400 bilhões aos demais estados da federação. Tivemos déficits comerciais com todas as regiões do Brasil.  A indústria foi o único setor que apresentou superávit.

No comércio exterior, éramos o 20º colocado entre os importadores – efetuamos compras no valor de US$ 545 milhões. E não eram bens de capital que representam uma alavanca para o desenvolvimento futuro. Já nossas exportações nos colocam acima apenas de Sergipe, Acre e Roraima, com vendas de US$ 116 milhões. Déficit no comércio exterior de US$ 429 milhões.

Em relação ao emprego formal, existe uma forte predominância do setor público com 38% do total, seguindo-se o setor de serviços com 27%, comércio com 16,18 e a indústria de transformação com 11%. Esse predomínio do emprego público acontece em todo o território, com menor intensidade nos maiores centros, mas quase a única fonte de emprego na maioria das cidades. Basta lançarmos um olhar para algum município pequeno, onde a renda da população consiste no vínculo com o setor público, complementada pelos programas sociais do governo. Em alguns outros países comunidades pequeninas exploram uma atividade econômica compatível com as suas potencialidades e geram renda suficiente, mas para isso são educadas.

Mas as desigualdades no emprego não se esgotam aqui.

A educação é fundamental. 70% dos empregos na Paraíba são ocupados por quem tem o ensino médio, superior incompleto e superior completo. Dos 638.270 empregos registrados pelo Ministério do Trabalho em 2016, este grupo ficou com 447.059 colocações.

As desigualdades se estendem. Para uma média salarial de R$ 2.273,50, os analfabetos têm salário médio de R$ 1.245,27 (as mulheres de apenas R$ 1.087,01 e os homens R$ 1.261,65). Em todas as faixas de escolaridade o homem ganha mais que é a mulher. 61,31% do número de empregos formais correspondem aos estabelecimentos com mais de 100 vínculos ativos.

Isso significa uma pista para incentivar cada vez mais o pequeno negócio – o Governo já vem atuando nesse sentido, através do microcrédito e da formação empreendedora, principalmente pelo SEBRAE, mas precisa “pisar mais fundo no acelerador”.

Dificuldades são um desafio.  Longe de lançar um olhar de desânimo frente ao futuro, somos da opinião otimista que é possível intentar algo novo e mudar as coisas.  O Governador João Azevedo reúne amplas condições para comandar esse processo.

Ousaríamos oferecer uma sugestão. Unir Governo, Sociedade e empresas numa espécie de Pacto de Desenvolvimento, coisa que já foi feita no Cariri da Paraíba e no Estado do Ceará com muitos resultados positivos.

RESTOS A PAGAR

Em 2005, foi anunciada pelo Ex-Presidentes Lula e Hugo Chávez a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que sairia por US$ 2,4 bilhões e seria realizada pela Petrobrás e pela estatal de petróleo da Venezuela PDVSA. A Refinaria Abreu e Lima segue longe da sua capacidade total de produção, de 230 mil barris de petróleo/dia. De acordo com a própria estatal, hoje esta capacidade está pela metade: 115 mil barris/dia. Segundo a Petrobras, a obra já custou US$ 17,8 bilhões aos cofres públicos, e, para ser concluída, está previsto o gasto de mais de US$ 1 bilhão, elevando o valor total da obra para US$ 18,9 bilhões, o que equivale a R$ 66,5 bilhões – 7,88 vezes a previsão.

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