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O Espírito Santo, dom Pascal

Padre José Assis Pereira. Publicado em 20 de maio de 2017 às 16:41

POR: Padre José Assis

Estamos já nos últimos domingos da Páscoa. Ao longo destes quarenta dias Jesus Ressuscitado, antes de sua ascensão, permaneceu junto aos seus discípulos preparando-os para que pudessem descobri-lo.

A Igreja segue o mesmo caminho de Jesus durante estes domingos pascais, através da Palavra e das orações vai preparando de maneira didática a todos para perceberem e descobrirem a presença viva do Ressuscitado em seu meio.

A Liturgia deste sexto Domingo da Páscoa nos apresenta um aspecto novo deste tempo solene. Igual a Jesus que na última ceia promete a presença do “Paráclito”, a Igreja prepara o evento de Pentecostes revelando a identidade e missão do Espírito Santo.

Aprofundemos a pessoa do Espírito Santo, “o ilustre desconhecido” como dizia o teólogo suíço Von Balthasar.

Paráclito”, no grego significa a pessoa chamada para ficar ao lado de alguém que necessita de assistência, particularmente em processos legais; contudo, não significa um advogado profissional (o que o latim “advocatus” significa).

Por isso o significado geral de paráclito é “ajudador”. Em sentido lato o paráclito é concebido como ajuda. Mas, também o termo é empregado como alguém que fala a favor de outro, um “intercessor”.

O próprio Jesus é o primeiro paráclito, pois o Espírito que é enviado é o “outro paráclito”. Ele é o espírito da verdade; Ele ensinará aos discípulos toda a verdade e lhes lembrará tudo aquilo que Jesus lhes disse (v.26).

Receber o Espírito deve nos converter em “paráclitos”, em pessoas que acompanham e ajudam outras pessoas, ao lado daqueles que necessitam. Se Jesus não nos deixa órfãos, tampouco nós devemos abandonar os que têm necessidade de nós.

Na Liturgia da Palavra deste Domingo se faz presente o protagonismo do Espírito que é o que dá vida à comunidade.

Alguns chamam este domingo de “Domingo da Expansão Missionária” a partir do relato dos Atos (cf. At 8, 5-8.14-17) que explica como Filipe chegou à Samaria, terra de um povo herético para os judeus e por eles odiado. O jovem missionário prega a Cristo e consegue aí a conversão de muita gente.

A perseguição que se desencadeou na Judéia protagonizada com o martírio de Estevão (cf. At 8,1-4), obrigou a dispersão, sobretudo de judeus que fugiram de Jerusalém. Filipe foge para uma cidade da Samaria e ali, movido pelo Espírito realizou milagres e prodígios.

Os samaritanos acolheram a sua pregação, se converteram, foram batizados e muitos enfermos foram curados o que provocou a alegria naquela cidade. (vv.6-8) Mas, o grupo ainda não havia recebido o Espírito Santo.

O fato das conversões numerosas foi tão extraordinário que mobilizou Pedro e João para avaliar a situação.

“Estes, descendo até lá, oraram por eles, a fim de que recebessem o Espírito Santo.” (v.14) A força do Espírito será concedida com a imposição das mãos daqueles apóstolos que “confirmaram” todos aqueles novos cristãos. Alguém chamou este evento de “pentecostes samaritano”. Por este motivo dizemos que a Igreja é na verdade a comunidade do Espírito.

A partir desta abertura e espontaneidade nasce uma nova comunidade formada por aqueles que eram excluídos do judaísmo que entram e passam a tomar parte na comunidade cristã, na Igreja, por iniciativa do Espírito que estabelece os laços de comunhão.

Vemos também refletido o Espírito na experiência da comunidade de Roma para a qual escreve o Apóstolo Pedro (cf. 1Pd  3,15-18) exortando os cristãos a não desanimarem diante da perseguição e a estarem preparados para responder a todos sem agressividade dando razões de sua esperança. E ele aponta para o exemplo de Cristo:

“Também Cristo morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, afim de vos conduzir a Deus. morto na carne, foi vivificado no espírito.” (v.18) Como vemos, as primeiras gerações de cristãos foram capazes de defender a causa de Cristo, a presença de Cristo em seus corações graças a ação do Espírito, testemunha e defensor.

No Evangelho (cf. Jo 14,15-21) continua o discurso de despedida de Jesus. Os discípulos entenderam que Jesus está prestes a deixá-los, entristecidos se perguntam como lhes será possível permanecer unidos a Ele. Jesus promete não deixá-los sós, sem proteção: “Não os deixarei órfãos. Eu virei a vós.” (v.18)

Jesus diz que pedirá ao Pai para lhes enviar o Espírito que permanecerá sempre com eles. Essa nova presença, a do Espírito podemos experimentá-la no meio da comunidade e dentro de nossos corações.

A promessa de Jesus de não nos deixar “órfãos” ou desamparados, tem toda a carga social que naquele tempo incluía. No Antigo Testamento, o “órfão” é o protótipo do desvalido, do desamparado, do que está totalmente à mercê dos poderosos e que é a vítima de todas as injustiças. Jesus é claro: os seus discípulos não vão ficar indefesos, pois Ele vai estar ao lado deles. Mas, a promessa tem uma condicionante: que seus discípulos o amem.

Esse amor de Jesus é o que diferencia o discípulo de quem não o é. “Quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama”, e a recompensa desse amor sincero, é a maior que pode esperar um ser humano:

“Quem me ama será amado por meu Pai. Eu o amarei e me manifestarei a ele.” (v.21) Só o que ama a Jesus está em condições de apreciar a verdade do que Jesus disse. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre, o Espírito da verdade”. (vv.15-17)

Só quem se abre a esta declaração de Amor e este ambiente de vida e Amor divinos pode receber o Espírito de Deus. Este Espírito não se nos dá apenas como “pessoa”, mas constitui-se luz da nossa inteligência, serenidade do amor, liberdade dos sentimentos; torna-se uma maneira divina de ser da criatura.

Jesus garantiu aos seus discípulos o envio de um “defensor”, de um “intercessor”, que havia de animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua marcha pela história. É o Espírito o protagonista da Primeira Evangelização.

Podemos aceitar a mensagem cristã de uma maneira superficial e por motivos espetaculares. Mas, se não se dá a presença do Espírito não se dá uma funda assimilação. A presença do Espírito é que faz com que uma comunidade cristã seja autêntica.

Acreditamos que o Espírito está presente, animando-nos, conduzindo-nos, dando razões de esperança aos que têm fé na caminhada e nos perguntamos: Como percebemos a ação silenciosa, mas eficaz do Espírito nas mais diferentes circunstâncias da vida das pessoas e nos acontecimentos da história da Igreja?

Quais são as manifestações do Espírito, as luzes e moções deste divino Amigo ajudando-nos a discernir o caminho da verdade de Deus no concreto da vida? Como constatamos os frutos que o Divino Hóspede nos concede no caminho do testemunho cristão e de nossa própria santificação?

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Padre José Assis Pereira

* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

falecom@fhc.com.br

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