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O dinheiro traz felicidade?

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 29 de maio de 2019 às 10:43

Neste mundo conturbado, cada país com seus problemas específicos, realidades e crises distintas, uma pergunta adquire muita força e está sempre presente, porém nem sempre explicita. O dinheiro traz felicidade?

Questão dificílima de tratar por envolver simultaneamente aspectos objetivos e subjetivos de uma discussão que não é de hoje, presente na vida da população de modo geral.

A face objetiva é mais visível na presença do dinheiro, dos bens materiais, riqueza ou fortuna. Dinheiro, que tem origem na palavra latina denarius, moeda, tanto pode ser simples meio de pagamento por algum bem que se adquire ou, de entesouramento. Como sabemos, o desejo de acúmulo do dinheiro tem despertado a ganância, a cobiça, o roubo do dinheiro público, a corrupção e tanta coisa mais.

Mas o dinheiro, em si, não é fonte dos males. A fonte dos males é o coração da pessoa, o uso que pretende fazer dos bens materiais.

O mal está na distribuição da riqueza gerada no mundo, que tem um indicador usado internacionalmente: O Produto interno bruto das nações, a soma de tudo o que se produz em um ano, e que hoje é calculado em US$ 87 trilhões. Se fosse dividido igualmente pela população caberia anualmente a cada pessoa o valor de US$ 11,400.00, ou R$ 45.600,00 e, com esse dinheiro, convenhamos não teríamos o triste espetáculo da miséria, da fome, de grande parte das doenças que afligem os seres humanos pelo mundo e, também no Brasil.

O Economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas nos brinda com um recente e interessante trabalho fundamentado em dados da FGV e do Gallup World Poll, denominado Como vai a vida? Entendendo a economia da felicidade.  E começa perguntando justamente isso: O Dinheiro Traz Felicidade? Quais as relações entre a economia e o bem-estar social no Brasil e no mundo?

Os resultados práticos extraídos dos dados internacionais e brasileiros sobre a felicidade individual mostram, em notas de 0 a 10:

1º uma relação positiva geral, mas não a determinante, entre a satisfação presente com a vida e a renda.

2º a felicidade brasileira é, em termos relativos, pouco sensível à questão de renda. Nenhum país dos 132 pesquisados apresenta menor correlação entre renda e sensação de felicidade que o Brasil. Ocupando a 76ª posição no ranking do PIB per capita, o Brasil ocupa a 37ª colocação na média de felicidade. A Finlândia tem o melhor índice de felicidade, 7,85, porém tem apenas o 26º lugar no ranking do PIB per capita. Não se estabelece, pois, uma regra de que a felicidade está na renda.

Paraíba Online • O dinheiro traz felicidade?Em relação ao Brasil, a pesquisa apresenta resultados interessantes que ensejam novas avaliações e aprofundamento. São mais felizes: 1º – as mulheres mais que os homens (6,2); 2º – os de melhor escolaridade (6,5); 3º – os de emprego em tempo integral (6,3); 4º – os que se sentem prosperando na vida(8,3); 5º – os que vivem no campo e nas pequenas cidades (6,3); 6º – os casados (6,3); 7º – os que aprovam as lideranças políticas dão nota 6,7 e os que não aprovam dão nota 6,1. A seguir um quadro resumo deste aspecto da pesquisa.

Paraíba Online • O dinheiro traz felicidade?

Fontes: FGV Social e Gallup World Poll

Surpreende o exemplo citado de que a “baixa sensibilidade dos brasileiros em relação às condições materiais de vida e renda é demonstrada pelo fato de que a região Nordeste brasileira, embora a mais pobre, apresenta o maior nível de felicidade…Quando se comparam pessoas com os mesmos atributos de sexo, idade, estado civil, escolaridade e renda familiar, a felicidade relativa do Nordeste é a maior (7,38) e da do Sudeste (a mais rica)  é a menor (6,68), ficando as demais regiões no meio do caminho”. Norte 7,13; Centro Oeste 7,37; Sul 7,2.

Em entrevista publicada na revista Veja desta semana, um dos herdeiros de uma das mais ricas famílias do Brasil fala que os ricos doam pouco. O senhor José Luiz Setúbal, filho de um dos fundadores do Banco Itaú, com fortuna avaliada em um bilhão de reais já doou mais de 20% do seu patrimônio em vida. “Distribui dinheiro a museus, igrejas e escolas. Sua maior área de atuação é a infância, mantendo um hospital filantrópico que patrocina pesquisas e ações voltadas para a primeira infância.”

As palavras de José Luiz corroboram o fato de que o Nordeste, a região mais pobre do Brasil, apresenta o melhor nível de felicidade. De fato, parece que por aqui, o exercício da solidariedade se faz mais presente.

No Brasil, os ricos dão menos, são menos solidários que os pobres. Dinheiro na medida certa e bom, mas, demais, pode ser veneno.

À beira da morte, Alexandre, o Grande (356 a.C. – 323 a.C.), determinou a seus generais: “1º Quero que os mais eminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte; 2º Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem; 3º Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos.”

Na busca de um mundo melhor, em que as desigualdades deixem de ser a regra, passando à exceção, talvez não seja exagero “Sonhar o sonho impossível”.

Terminamos provocando o caro leitor: O dinheiro só para ti traz a tua felicidade?

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