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O dilema de ser pai

Rafael Holanda. Publicado em 24 de julho de 2017 às 8:07

Por Rafael Holanda (*)

Na estrada que caminhamos haverá sempre a angustiante cantiga de lamentos, pois muitos encontrarão os vendedores de morte por prazer, que levarão consigo juventudes que se perdem.

A consciência perversa que tira o jovem da sua família para entregar ao mundo alheia a dignidade; pinta de escuro o coração sofrido de pais, e renascem as lágrimas do céu.

A noite silenciosa nos perturba, e não suportando a vigília na beira de uma escada, os pais adormecem na esperança de que ao abrir a porta, esteja seu filho retornado ao lar de forma íntegra.

As súplicas do desespero tem se acentuado a medida de que jovens assumem a pujança do seu direito, e não respeitam as solicitações em forma de oração para que trilhem pela verdade.

O campo da fertilidade que outrora guardava alegrias se embota em tristezas, pois o mundo em sua maneira globalizada se achou no direito de tirar dos pais a sua força de proteção.

As lágrimas se transformaram em rios, as noites viraram uma verdadeira luminosidade de dia, onde a incerteza do retorno dos nossos filhos ocupou de forma permanente os nossos pesadelos.

O destino injusto trocou a alegria de muitos em verdadeiros atos de dor, pois os filhos cultuaram os desperdícios da vida e saúde e procuraram viver a arte de morrer mesmo em vida.

No espaço do calvário do cotidiano, as orações fazem parte da bandeira da esperança, visando solucionar as agressões que ocorrem em famílias onde o traço da vida era repleto de alegria.

Ao surgir à dependência de erros, os costumes são modificados, e o que era belo se torna feio e a doce alegria do convívio se torna azedo pela dor e tristeza.

Mascarados pela insanidade, jovens agridem com palavras os seus pais, se afastam de Deus, procuram viver a intensidade de um mundo de perturbação, e se embotam na solidão.

Não restam à esperança do amanhã, planos belos se perderam na primeira esquina, e o jovem saudável, educado se transforma em um corpo esquelético ambulante e fala trôpega.

São dores que atingem a muitos e, meu coração não pode em momento algum se tornar indiferente a atos como este, e através das minhas lágrimas sinto as dores como se fossem minhas.

A rebelião do jovem mostra que seus passos vão de encontro ao caos, se desfaz das dores, não sente a angústia que o maltrata, porém em momentos de lucidez esbraveja pela crueldade do destino.

Todos têm seus sofrimentos, todos não são felizes por inteiro, todos choram uma lágrima sentida, mas se pudermos juntar num ato de solidariedade, haveremos de amenizar estes infortúnios.

(*) Médico

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Rafael Holanda

* Médico.

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