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O crítico Virginius da Gama e Melo

Josemir Camilo. Publicado em 3 de agosto de 2017 às 7:53

Por Josemir Camilo de Melo (*)

Não pretendo, aqui, me arvorar de crítico literário, mas apenas registrar os 42 anos da passagem à imortalidade, do crítico, Virginius Figueiredo da Gama e Melo, que se deu em 01/08/1975, aos 52 anos, apenas. Nascido em João Pessoa, em 19/10/1923, descendente de velhos políticos do final do Império, os Gama e Melo, família então decadente em status, ficou órfão, muito cedo, e passou a morar com o ramo dos parentes, os Figueiredo, em Campina Grande. Formou-se em Direito, pela Faculdade do Recife e tornou-se um dos maiores críticos literários nacionais, de renome, até, internacional. Se vivo fosse, estaria nonagenário (94 anos), ao lado de mais dois ou três outros Acadêmicos, que residem dois, em Campina Grande; outro, em João Pessoa.

Em 1982, sob a batuta da grande pesquisadora e crítica literária, Elizabeth Marinheiro, foi lançado em Campina Grande, o Dicionário Biobliográfico do Autor da Microrregião do Agreste da Borborema, pelo NELL (Núcleo de Estudos Linguísticos e Literários, da UFPB-Campus de Campina Grande), que dedicou quase duas páginas a Virginius da Gama e Melo, alegando, no entanto, que “sua produção literária não cabe nos espaços de um verbete”.

Os jornais o queriam como crítico, tanto os do seu estado, como os de Pernambuco (desde o tempo em que, lá, estudara e curtia o Bar Savoy, na calçada da Guararapes) e em grandes nacionais. Segundo o NELL (leia-se Elizabeth Marinheiro) “A crítica periodista encontrou em Gama e Melo o perseverante representante: os artigos de rodapé, o apoio aos ‘novíssimos’ da literatura, as resenhas bibliográficas de autores brasileiros e estrangeiros, os juízos críticos mais elaborados se multiplicavam nos principais jornais do país – Jornal de Letras o Jornal do Brasil, o Estado de São Paulo etc., além das colunas assinadas nos periódicos nordestinos, particularmente, paraibanos”.

Prossegue o Dicionário: “Estudioso do cinema, participou de várias filmagens, na qualidade de crítico e roteirista: Menino de Engenho, Contraponto sem Música, O Homem do Caranguejo, Paraíba pra seu Governo, Soledade, A Bolandeira, Poeta Popular etc.”

Li seu Prefácio à obra do campinense, Rubens Navarra, Jornal de Arte, publicado em Campina Grande, pela Comissão Municipal do Centenário, em 1966; lembrei-me de que seu escrito sobre Navarra, confirma uma crítica não intrusiva, o que, talvez, tenha levado alguns críticos paraibanos e nacionais a dizer que Virginius era mais analista que crítico. No entanto, o seu reconhecido valor veio na sua eleição para membro da Academia Mineira de Letras, já que a primeira parte do livro de Navarra se intitula Viagem em Minas.

Além disto, era membro da Academia Paraibana e tornou-se Patrono da Cadeira nº 27 da Academia de Letras de Campina Grande. Seus dois romances, muito bem analisados na plaqueta Paraíba Nomes do Século (nº 47) do poeta campinense, José Edmilson Rodrigues e da Professora, Maria de Fátima Coutinho, nos falam, não só do tecer literário, mas do engajamento social do escritor, A Vítima Geral (sobre o assassinato de um camponês) premiada em 1972, e Tempo de Vingança (que tem como cenário a Revolução de 1930). Recebeu outra meia dúzia de prêmios e várias indicações. Além dos romances, deixou-nos os ensaios O Alexandrino Olavo Bilac, O Romance Nordestino e Outros Ensaios. Grande Virginius! Grande lacuna nos deixou!

(*) Professor, historiador, presidente da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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