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O centenário do CAD e a Revista Evolução (I)

Josemir Camilo. Publicado em 13 de fevereiro de 2019 às 8:02

Em 16 de fevereiro, o Colégio Alfredo Dantas está completando 100 anos de fundado. É o primeiro estabelecimento de ensino de Campina Grande a registrar este recorde. Vou, aqui, me ater a um rápido histórico e comentar, numa segunda parte, um dos seus melhores papéis na história educacional e social campinense: a criação de uma revista.

Em 2011, apresentei, no Seminário Nacional de Fontes Documentais e Pesquisa Histórica: Sociedade e Cultura, do Programa de Pós-Graduação em História da UFCG, a comunicação: “‘Evolução’: revista pedagógica e magazine na Paraíba dos anos 30”. Agora, por ocasião do seu centenário, resolvo sintetizar aquele texto.

A ideia surgiu, quando, pesquisando no acervo que pertenceu ao professor Átila Almeida (hoje Biblioteca Átila Almeida, da Universidade Estadual da Paraíba), me deparei com a coleção de 8 exemplares da revista Evolução, editada pelo, então, Instituto Pedagógico, em 1931/2. A revista tinha por plataforma divulgar, não só as atividades do educandário, mantenedor daquele periódico, mas fazer as vezes, também, de um veículo de comunicação social, apresentando em seus números seções de magazine. Esse periódico revolucionou a cidade, ao divulgar fotos de alunas fazendo educação física. A militância pedagógica pode ser acompanhada, através da polêmica entre ensino público e privado, e ensino laico e católico, bem como os embates pró e contra a Escola Nova.

Parti, também, da leitura que fiz do livro À Mesa do Vilariño (1991), do escritor e compositor pernambucano, Fernando Lobo, que viveu no Rio de Janeiro, em que ele narra sua curta infância, em Campina Grande; que estudara no Instituto Pedagógico (IP), sendo aluno do professor, tenente Alfredo Dantas, que era evangélico. Lobo, um tanto cáustico, lembra, ainda, de Monsenhor (Almeida) Barreto, que ‘largara a batina por alguma ovelha’. Considerando que Lobo nasceu, em 1915, isto teria se dado por volta de 1925. Parte dessa equipe pedagógica veria o IP passar por uma transformação, tornando-se a mais importante escola privada e laica de Campina Grande, nas décadas seguintes.

O Instituto Pedagógico, criado por Alfredo Dantas em 1919, pode ser tido como herdeiro do velho Grêmio de Instrução, fundado em 1899, um curso preparatório para a Faculdade de Direito do Recife. Evolução, em seu primeiro número, nos dá o histórico do IP. Inicialmente, a escola, na Rua Barão do Abiaí, visava ao ensino primário e secundário para ambos os sexos, com salas separadas, regidas por Alfredo Dantas sua esposa, Ester de Azevedo. Em 1924, a escola foi mudada para o número 327, na mesma rua que, depois, se tornaria o internato do IP, quando este passou a ocupar o prédio municipal do extinto Grêmio de Instrução, na Marquês do Herval. O antigo casarão, de janelões neoclássicos despojados, cuja construção fora iniciada pela municipalidade e concluída com recursos (dizem) do gringo Cristiano Lauritzen, seria demolido e, hoje, é o moderno Colégio Alfredo Dantas.

Em 1928, o IP foi reconhecido de utilidade pública, pelo Conselho Municipal, criando-se o Curso Normal e o Técnico-Comercial. A luta foi grande junto à Assembleia estadual para equiparar ao Curso Normal da Capital, o que gerou uma luta surda de interesses, um ‘complot’ como registrou Evolução. Mas saiu vitorioso, com o governo de João Pessoa, em 9/12/1929. Com a prematura morte do governante, a Escola Normal do IP passou a se chamar Escola Normal João Pessoa, em 1931, pois a equipe pedagógica tinha afinidades com a Aliança Liberal. A escola prestava outros serviços pedagógicos: Grupo Modelo, para a prática do ensino de Didática às alunas do Normal; o Técnico-Comercial; e o de Instrução Militar incorporada ao Tiro de Guerra, além de cursos profissionais, como de prenda doméstica, trabalhos, pintura etc.

A partir de 1930, o Instituto passou também a lecionar o curso ginasial e foi reconhecido pelas autoridades nacionais. A concorrência agora era de modernidade, pois, em 1931, surgiam os colégios católicos Imaculada Conceição – Damas, para as meninas, e o Diocesano Pio XI, para os meninos. O IP era dirigido pelo militar e evangélico, Tenente Alfredo Dantas.

O IP irá se constituir como uma opção ou um enfrentamento, também, à onda dos defensores do ensino católico, se posicionando, o IP pela Escola Nova, pelo ensino laico. O bispado da Paraíba, desde Dom Adauto Miranda Henriques, fundou um colégio feminino e outro masculino, e o jornal A Imprensa.

Em abril de 1942, nos conta Epaminondas Câmara, o IP, seguindo o decreto federal nº 4244, (que criara os ginásios em todo o território nacional), passou a se denominar Ginásio Alfredo Dantas. Em fevereiro de 1944, falecia Alfredo Dantas, e sua filha, Ester Dantas do Nascimento, passou a dirigir o educandário, mas por pouco tempo, porque, um ano depois, o GAD passou às mãos do prof. Severino Lopes Loureiro, que comprou as instalações. Hoje, o colégio é mantido por uma Associação (AECAD), de membros da família Loureiro, cujo presidente é o professor Paulo Loureiro. Longa vida ao Colégio Alfredo Dantas, de que me orgulho de ter tido filhos (Rodrigo e Camila) estudando, lá, nos anos 80! (Cont.).

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Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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