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O Cata-Livros de Ronaldo

José Mário. Publicado em 7 de fevereiro de 2019 às 10:32

“Ninguém despreza o dia dos pequenos começos”. É pensando nessa irretocável instrução que emerge das Escrituras Sagradas que principio este texto que tem como personagem principal o Cata-Livros de Ronaldo, tradicionalíssima casa comercial de Campina Grande. Casa comercial que tem na imortal figura do livro, morada do saber na lúcida ponderação do mestre Afrânio Coutinho, o ponto de partida e de chegada para todas as suas cogitações afetivas intelectuais.

Voltemos, pois, a lapidar sentença bíblica, que é a epígrafe norteadora da nossa reflexão. Há mais de três décadas, salvo engano na espacialidade do calçadão da Rua Cardoso Vieira, no fremente e mítico coração do centro urbano de Campina Grande, com instalação bem singela e modesta, começava Ronaldo a sua travessia de livreiro em nossa cidade.

 Embora em pouca quantidade, os livros comercializados eram de boa qualidade do ponto de vista conteudístico e bem cuidados em sua materialidade física. Mais adiante, já experimentando um visível progresso, o Cata-Livros de Ronaldo passou a ocupar outras geografias citadinas, a exemplo da Rodoviária Velha, na Rua Alexandrino Cavalcanti, por detrás da Olacanti, até fixar-se, nos tempos permanentes do agora, na Rua Getúlio Vargas e na Praça da Bandeira. Vale salientar que nesse período o Cata-Livros de Ronaldo também habitou num amplo espaço da Rua Arrojado Lisboa, no Bairro de Bodocongó.

Ao longo de todo esse ziguezagueante e, depois consolidado périplo pelas artérias da cidade, tive o privilégio e a ventura de acompanhar os passos do velho amigo Ronaldo, cartografando, no nascedouro, a sua sublime missão de fazer circular o mais poderoso agente civilizatório: o livro, lugar privilegiado da concreta ação dos homens no mundo, palco luminoso onde, de mãos enamoradamente dadas, a inteligência, a sensibilidade e a imaginação humana consorciam-se para tornar a existência mais bela e digna de ser vivenciada em todas as suas múltiplas dimensões constitutivas, a despeito de todas as interdições que a cercam.

Para mim particularmente, e decerto para muitos outros que fazem da leitura “uma espécie de segunda alma”, conforme diria o insuperável Machado de Assis, o Cata-Livros de Ronaldo é um tipo de estação obrigatória e parada indesviável onde, dia após dia, semana após semana, embarcamos e desembarcamos conduzidos pela nossa nunca plenamente saciada sede de conhecimento e ânsia de saber.

No Cata-Livros de Ronaldo, passeamos, muitas vezes, (ou frequentemente?) entre mortos eternamente vivos, escritores que, desafiando o tempo e emulando contra a morte, perenizam-se em nosso imaginário. No Cata-Livros de Ronaldo, experimentamos, vezes sem conta e sem nenhuma premeditação, o milagre epifânico da descoberta de uma obra rara, da criação de um autor admirado, do livro anos a fio desejado e da relíquia sem preço das nossas acalentadas afinidades eletivas. O Cata-Livros de Ronaldo é marco e marca de grandeza nas cenas e cenários da nossa sempre Grande Campina.

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