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O blefe das Copas

Roberto Hugo. Publicado em 21 de julho de 2018 às 16:01

Pra começo de conversa é preciso avisar aos navegantes de que nem sempre vence a Copa do Mundo a melhor seleção. O estilo copa, mata-mata, é usado pelas federações e confederações esportivas para adequar calendários, interesses políticos discutíveis e retorno financeiro consistente. Se as seleções que estavam nesta ultima copa, por exemplo, jogassem entre si – com partidas de ida e volta, feito a Liga do Campeões da Europa, o Brasil seria campeão com 3 ou 4 rodadas de antecedência. Mas não há calendário exequível.

Toda vez que uma copa termina, começa a onda da “blefe mania”. Opiniões impulsionadas por resultados inesperados e inconsistentes. Nessa Copa da Rússia, de repente a França virou o melhor time do mundo. A mesma que um mês antes, poucos acreditavam. Após a conquista, os engenheiros de obras prontas alardeiam de que foi inventada uma nova ordem tática mundial. Países como a França, Bélgica e Croácia viraram modelo de jogar futebol. A mesma baboseira dita com relação a Alemanha quatro anos atrás.

E o que é mais grave. Estão tentando sepultar os nossos craques em função da perda do título mundial. Aliás, estão tentando humilhar e aniquilar o nosso principal jogador, após a eliminação contra a Bélgica. Estou falando de Neymar. Que vinha fazendo uma copa razoável, mesmo recém saído de uma contusão que o tirou dos gramados havia três meses. A acusação pertinente é de que ele encena além da conta nas faltas que sofre. Mas as pancadas violentas que ele recebe, ficam em segundo plano. Tem menor relevância. Ou seja, se penaliza o teatro, mas os agressores ficam ilesos. O justo seria cartão amarelo pro exagero da cena, e vermelho pra quem comete a falta violenta.

Aliás, o que se mostra de novo no futebol a cada copa, é como se defender melhor. É como ficar mais tempo com a bola. É como concentrar mais gente do meio pra trás sem propor o jogo e menos gente do meio pra frente atacando. É um tal de toque de lado irritante. Nada de novo surge com relação ao drible em direção ao gol. Como deixar para trás laterais e zagueiros. E nesse assunto, só o nosso país tem farta matéria prima na prateleira para mostrar e vender. Começamos com uma geração bem antes de Pelé. Zizinho e Ademir encantaram o mundo. Tivemos ainda Garrincha, Jairzinho, Amarildo, Zico, Sócrates, Rivaldo, Kaká, Romário, Ronaldo Gaúcho e Ronaldo Nazário. Jogadores que driblavam, marcavam gols e ainda davam assistências espetaculares. Mas a lista é extensa.

Só nesta copa tínhamos Neymar, Felipe Coutinho, Douglas Costa, William e Gabriel Jesus. E ainda deixamos em casa Luan, Vinicius Junior e Lucas Paquetá. Que país tem em suas seleções pelo menos dois atacantes do nível dos nossos? Nessa copa só o Mbape foi o jogador estrangeiro fora da curva. E como eles não têm essa plêiade de craques, a opção é apostar na defesa, na força física e não raro, no anti-jogo. É pisar no tornozelo sem querer querendo como dizia Chaves. É a força se impondo a técnica com a complacência da arbitragem. Essa história de que futebol é jogo de contato, é jogo pra homem, é equivocada. O esporte que qualifica a força é o box, luta greco romana e luta livre. A regra absurda do futebol que permite ao jogador desarmar o adversário pegando primeiro na bola, e na sequencia, se a perna atingida sofrer uma fratura a culpa vai ser do gramado ou das travas das chuteiras.

A missão do jogador limitado, mas super dotado fisicamente, ficou facilitada no mundo do futebol. E nada melhor do que exercê-la numa copa que é um torneio de tiro curto. Para o “atentado perfeito” basta um jogo. O Brasil que tem a melhor seleção do mundo atualmente, saiu dessa copa por falta de sorte no jogo contra a Bélgica. Por falta de critérios da arbitragem. Driblou mais em direção ao gol, teve mais posse de bola, criou mais chances, só que a bola não entrou. A sorte estava do lado oposto. A mesma que favoreceu o Brasil na copa de 70, quando eliminou a Inglaterra. Em 94, com Romário, também graças ao azar de Paulo Rossi. Em 50 o Uruguai venceu a Copa graças a uma falha do nosso goleiro Barbosa. É assim que funciona a tal Copa do Mundo. Uma blefe de opiniões que ocorre a cada quatro anos.

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* Comentarista esportivo.

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