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O antigo segredo dos entalhes do Ingá

Vanderley de Brito. Publicado em 10 de janeiro de 2019 às 23:30

A Pedra do Ingá, rocha que se sobressai soberba em meio a um lajedo aflorado à margem esquerda do riacho Bacamarte, município de Ingá, com seus inúmeros e curiosos desenhos entalhados excita perplexidade até naqueles mais apáticos aos mistérios latentes da humanidade. E, como tal, não fica a dever aos mais extraordinários e misteriosos feitos das remotas sociedades primitivas da Terra.

No Peru existe a espantosa série de padrões geométricos sulcados no chão, de imensos desenhos cobrindo grandes áreas e tão grandes que só podem ser distinguidos do ar, e que até hoje é difícil saber o objetivo ou como puderam os antigos indígenas de Nazca os tracejar sem o necessário distanciamento. Na Inglaterra há os misteriosos círculos monolíticos de Stonehenge, os intrigantes dolmens e as longas fileiras de menires, cujo mistério reside não só no tamanho das pedras e na questão de como foram transportadas e colocadas nos seus lugares, porém mais ainda no padrão racional destas construções pré-históricas. Como estas curiosidades, podemos ainda citar as imensas pirâmides egípcias, maias, astecas e toltecas e tantas outras intrigantes obras da Idade da Pedra cujo mistério é ainda palpitante.

No Ingá, o monumento pétreo é composto por um elaborado conjunto de símbolos que foram, em tempos remotos, perfeitamente entalhados e polidos em sua dura superfície. Ainda não existe qualquer resposta sobre o que veio a representar ou mesmo quem foram estes complexos povos pré-históricos, cujo monumento vem ser um testemunho de seus paradigmas artístico-culturais. É pouco provável que os gráficos do Ingá representem um conjunto ideográfico, como os hieróglifos egípcios, ou silábico, como a escrita cuneiforme do antigo Oriente Médio. A sua disparidade e, principalmente, a falta de conexões sistêmicas, testemunha muito pouco em favor de uma escrita.  No entanto, é inegável que ali contém uma mensagem cifrada.

A Pedra, muito provavelmente, comporta um modelo rudimentar de pré-escrita, cuja chave da decodificação se perdeu no transcorrer dos milênios e não seria absurdo sugerir que aqueles entalhes ocultem um código mnemônico melódico, onde cada símbolo individual represente toda uma linguagem reunindo morfemas, lexicais e gramaticais, que venha expressar, de forma polissíntese, palavras ou mesmo frases rítmicas completas.

Hierática ou sacerdotal, nos baixo-relevos da Pedra do Ingá, assim como nos muitos mistérios monumentais da humanidade, repousa segredos ininteligíveis. No Ingá, contudo, talvez encontremos alguma plausibilidade se forem empreendidas pesquisas dedicadas à mitologia comparativa, uma vez que os ameríndios sul-americanos, como únicos remanescentes deste passado perdido, podem ter guardado nas entrelinhas de seus mitos alguma pista sobre seus remotos antepassados, possíveis elaboradores dessa antiga cultura petróglifa.

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Vanderley de Brito

Historiador, Arqueólogo, Presidente do Instituto Histórico de Campina Grande e membro fundador da Sociedade Paraibana de Arqueologia.

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