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Novo Sofismo no Tempo da Desrazão!

Pe. Luciano Guedes da Silva. Publicado em 12 de novembro de 2017.

 

Por Pe. Luciano Guedes da Silva

Na Grécia Antiga, os “sofistas” eram conhecidos como professores que ensinavam para seus alunos a “arte da retórica”. Com a técnica do discurso, eles demonstravam como o interlocutor deveria ser seduzido, independente da veracidade da mensagem. Filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles, condenaram os sofistas por “desonestidade”, fazendo observar como estes enganavam o público, recorrendo ao erro, travestido de aparente argumentação. No sofismo, interessava fundamentalmente “agradar” o gosto do ouvinte, conduzindo-o ao maravilhoso, retirando disto as possíveis vantagens econômicas.

O sofismo não ficou apenas na Antiguidade Clássica, ele atravessou os séculos, influenciando a história do pensamento em todos os seus desdobramentos discursivos em áreas diversas como a política, a religião, o direito, a literatura etc.  Hoje poderíamos dizer que assistimos a um “novo sofismo” trazido, sobretudo pelo advento das tecnologias da comunicação, cada vez mais eficientes e velozes, começando pelo nosso celular à mão, sempre conectado aos diversos canais e janelas!

A proliferação dos boatos, as fake news, a contínua guerra de informações em busca de seguidores, o apelo ao emocional, ao fantástico, ao espetacular, constitui em nossos dias confusos a expressão desta luta para instaurar a validade das palavras, o estatuto dos enunciados. Na época da dita “pós-verdade” em cena, os fatos objetivos já não tem muita relevância para formar a opinião pública, mas em seu lugar se impõe a força das “narrativas”, a arquitetura das “versões”. Abre-se caminho para a ludibriagem, para a desconfiança, para a mentira repetida e bem contada. A “forma” tem mais visibilidade que os “conteúdos”.

Mas é também oportuno perceber outro aspecto deste problema contemporâneo.  A pura argumentação fria, lógica, racionalizada, parece também não corresponder à expectativa do sujeito atual. Este tipo de abordagem “positiva” fez desenvolver em muitos contextos mentes brilhantes, entretanto, sem incidência prática com as relações humanas, com os afetos, com a sensibilidade criativa que constitui significados para a vida real das pessoas e dos grupos humanos.

Precisamos hoje pôr em discussão como equacionar razão e afeto, discurso e prática, tarefas sempre desafiadoras! Como podemos filtrar tantas informações que invadem nossos espaços virtuais, que em certo sentido, são hospedagens que damos a um infinito de pessoas, sem cairmos na rede da fofoca e da mediocridade? Como podemos ajudar as pessoas a pensarem, a discernirem seus problemas, sem a consulta invasora e interesseira dos “gurus de plantão” ou da busca desesperada por manuais e receitas de autoajuda? Como podemos encantar de novo o vazio existencial dos corações humanos, mantendo neles a capacidade de refletir, de fazer escolhas e de assumir suas consequências? São questões…

Certamente, o desafio não é pequeno, é para quem tem coragem de viver o tempo presente sem fugir de suas responsabilidades, no ato único e irrepetível de ser pessoa e de harmonizar os valores, os relacionamentos, a vida em sociedade. Para nós cristãos, olhar para Jesus Cristo, Palavra Eterna e Encarnada, será continuamente o ponto de partida. Ele pede de cada encontro, de cada situação da vida, um comprometimento das pessoas consigo mesmas, com os outros e com Deus!

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Pe. Luciano Guedes da Silva

falecom@fhc.com.br

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