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Nova coluna de Roberto Cavalcanti: Rosas

Roberto Cavalcanti. Publicado em 26 de agosto de 2019 às 19:35

Por Roberto Cavalcanti

Quem me conhece sabe que procuro planejar tudo, materialmente e espiritualmente. Na última sexta-feira, 23, não se tratava apenas de garantir “mens sana in corpore sano”. Minha concentração era uma preparação, pois, com muita honra, seria empossado na Cadeira n° 27 da Academia Paraibana de Letras (APL).

Fiz pessoalmente um checklist com os mínimos detalhes. Ao todo, mais de 40 providências, desde os operacionais até as especificações técnicas, e tudo que envolvia a montagem do evento.

As dificuldades foram grandes. Não foi fácil conciliar a preservação de uma tradição em fazê-lo na sede da própria Academia, e transformar o exíguo espaço em apto a abrigar um milhão de amigos.

No impasse, tive que partir para convidar os possíveis, mesmo correndo o risco de falhas e omissões. O princípio básico é de que festa boa é aquela que faltam cadeiras.

Tudo pronto, tudo detalhado e conferido com a colaboração de uma grande equipe interna e com o melhor da terceirização. Discurso pronto, restava apenas cuidar de mim.

Naquela sexta-feira, estaria focado na minha concentração. Acordaria, faria uma rápida passagem pelo local do evento, bateria o ponto na empresa para me sentir produtivo, almoçaria em casa (coisa extrapauta), e, à tarde, em merecido descanso, ganharia energia para uma longa noite na qual após as emoções naturais pelo simbolismo da cátedra, passaria pelo menos cinco horas de pé.

Perfeito! Tudo planejado. Acordo e já tomo a primeira decisão para alongar o meu tempo: suspendo a ida à programada sessão de pilates de todas as sexta-feira e inicio um magistral café da manhã, caprichado pela virtuosa Neidinha.
Abro o Correio da Paraíba e constato que todos priorizaram me homenagear.

Edição que estará sempre guardada no meu coração e nos infalíveis arquivos.

O interfone toca. Chega a informação de que estava na portaria um ramalhete de flores para mim. Digo que deve ser engano. Coincidentemente, era também o dia de aniversário de uma querida vizinha. Lógico que deveria ser para ela, mulher. Homem, recebendo flores não estava na minha programação mental.

Recebida as flores, tratava-se do mais espetacular arranjo de rosas brancas que jamais tinha visto.

Suspense. Sandra, atenta, foi logo em busca do remetente. Anônimo. Nenhuma identificação, portanto, automaticamente suspeito.

O telefone toca. Tento pedir a Sandra para, por um minuto, sustentá-lo, e ouvi recusa imediata: “Não pego nisso”.

De imediato, por meu temperamento combativo e estando inocente, retruquei com um ditado: “Quem disso cuida, disso usa”. Foi para o ar minha programada paz de espírito.

O telefone toca novamente. Identifico que era minha secretária. Para evitar mais confusão, não atendo. Ela insiste e me manda uma mensagem de áudio: “Dr. Roberto! Uma falha imperdoável da floricultura reteve o cartão que foi tão recomendado”. Em seguida, repassa o texto.

“Querido pai, desejo que o branco das rosas seja a plena paz da sua realização, hoje. Acompanhei sua dedicação e perseverança para alcançar o seu sonho. Feliz demais estamos pelo seu reconhecimento pela Academia Paraibana de Letras. Para nós, você realmente sempre será nosso eterno imortal. Te amamos muito. Bia, Bibi, Paulininho, Babi & Hallan. Miami, FL – USA.”

Estava salvo!

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Empresário e diretor da CNI.

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