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Nova coluna de José Mario: Amigo de Deus

José Mário. Publicado em 28 de maio de 2019 às 22:00

Por José Mário Silva

Não existe nada melhor / Do que ser amigo de Deus/Caminhar seguro na luz/Desfrutar do seu amor/Ter a paz no coração/Viver sempre em comunhão/E assim perceber/A grandeza do poder/De Jesus meu bom Pastor.

Ademar de Campos é pastor da Igreja Comunidade da Graça no Estado de São Paulo, e um dos mais notáveis músicos da igreja evangélica que serve a Deus em nosso país. Compositor emérito, autor da impressionante marca de mais de oitocentas canções, algo, verdadeiramente, singular. Quando se examina o ministério do ilustre servo de Deus, o que salta aos olhos é que as letras das canções que Deus tem posto em seu peito e em seus lábios ancoram no porto de um inafastável compromisso com o claro ensino das Escrituras Sagradas. Aliás, numa entrevista que concedeu, recentemente, em um programa evangélico de televisão, o pastor Ademar de Campos afirmou que busca lastrear todo o seu ministério, inclusive o que se efetiva no campo da produção musical, em três fundamentais pilares: coerência, conteúdo e consistência. A coerência busca compatibilizar o que se canta com o que se vive, a fim de se evitar cair no pântano insuportável da hipocrisia. O conteúdo diz respeito ao fato de que somente devemos cantar letras que sejam compatibilizadas com a Palavra de Deus; e com os santos ensinamentos do Senhor exarados nela. A consistência, por sua vez, aponta para realidades que são sólidas, que buscam coadunar-se com uma fé madura, sóbria, permanentemente, balizada pelos parâmetros imutáveis da Palavra de Deus.

Convenhamos que, viver à luz desses pressupostos, não se constitui numa tarefa fácil, notadamente, numa época em que a mercantilização da fé tornou-se uma espécie de paradigma comportamental predileto em muitos arraiais que, dizendo-se evangélicos, de há muito abandonaram a sã doutrina; e, em direção diametralmente oposta, já estão dando ouvidos à doutrina de demônios, conforme as severas admoestações do apóstolo Paulo. Vivemos em uma época em que, em muitos círculos, a pregação virou uma profissão; a fé virou um negócio; a mensagem do evangelho virou uma mercadoria; a igreja virou uma empresa; o louvor virou um show; e a música dita cristã virou um produto comercial altamente rentável, um caminho excelente para que gente sem vida e sem mentoria espiritual de espécie alguma, ganhe muito dinheiro. Eis um dos mais indisfarçáveis flagelos da gospelização musical contemporânea.

O pastor Ademar de Campos, dentre outros tantos servos de Deus que se têm mantido fiéis à vocação recebida do Senhor, tem desenvolvido um fecundo ministério para a glória de Deus, compondo canções que, bíblicas em seu indesviável cerne, glorificam a Deus, ao se harmonizarem com o seu Ser glorioso, que é adornado por majestosos atributos. A canção que encima a presente meditação dominical configura-se numa das mais belas e bíblicas, dentre as muitas que emergiram da criativa lavra do aludido servo de Deus. Buscaremos comentá-la em suas particularidades conceituais mais significativas.

No primeiro verso, enuncia-se o mais elevado projeto de vida, o mais sublime propósito para o qual o ser humano foi criado: glorificar a Deus, vivendo como seu amigo, servo e contínuo adorador. O pecado tornou-nos inimigos de Deus, realidade trágica somente passível de ser modificada pela redentora obra realizada pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Aos nos tornarmos amigos de Deus, por meio da eficaz e reconciliadora obra que Jesus Cristo realizou na cruz do calvário, passamos a caminhar, seguros na luz, desfrutando do infinito amor de Deus. O pecado, além de nos tornar inimigos de Deus, privou-nos da luz da presença do Senhor; e, em direção contrária, lançou-nos nas trevas morais e espirituais de um estilo de vida radicalmente incompatível com Deus, e com os santos valores e normas do seu reino. Em Cristo Jesus, contudo, temos luz, a luz da vida; tornamo-nos luz do mundo; e passamos a andar na luz, porque, em Cristo Jesus, Deus nos amou primeiro. O pecado levantou um muro de separação entre Deus e nós, fazendo com que recaísse sobre nós, permanentemente, a justa e terrível ira de Deus, expressão viva do seu necessário desapreço contra tudo o que se incoaduna com a sua fulgurante santidade. A obra de Cristo removeu a ira de Deus contra nós, reconciliou-nos com o Pai, e nos concedeu a graça e o privilégio de termos paz com Deus.

Vale salientar que essa paz a que alude a canção apreciada em muito transcende o que poderia ser compreendido como um mero estado de espírito; e, numa perspectiva muito mais sublime, constitui-se na condição renovada de um coração perdoado e de uma consciência purificada pelo sangue remidor de Jesus Cristo; consciência essa que, agora, está desfrutando de uma posição diante de Deus. Tal posição é, emblematicamente, apresentada pelo apóstolo Paulo em sua epístola aos Romanos no capítulo cinco, no qual está escrito que: “justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. (Romanos 5.1). Outrora nas trevas e inimigos de Deus, agora temos paz e vivemos em comunhão com o Senhor. Comunhão essa que tanto mais cresce quanto mais experimentamos a graça da santificação em nossas vidas, por meio da qual, a pouco e pouco, a força do pecado vai sendo quebrada em nosso viver, de modo que passamos a viver de maneira renovada e desejosa de, em tudo, fazermos a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Comunhão que, também, se estende para a nossa vida comunitária, na qual, ao lado dos nossos amados irmãos e irmãs, expressamos a nossa fé comum e preciosa. Quando tudo isso ocorre conosco, somos levados a perceber “a grandeza do poder de Jesus, nosso bom Pastor”, que nos amou a ponto de dar a sua vida por nós na cruz do calvário, a fim de que pudéssemos receber a graça da salvação e o maravilhoso dom da vida eterna. Que o Senhor continue a derramar sobre o seu amado servo Ademar de Campos, a iluminação necessária, e a sabedoria bíblica indispensável, para que ele continue a compor canções que exaltem ao Senhor e proclamem a beleza salvadora do seu santo evangelho. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.

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