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Campina Grande - PB

Notícia de uma Crônica não terminada

01/04/2016 às 9:14

Fonte: Da Redação

Foto: ParaibaonlineJosemir Camilo de Melo*

Vínhamos acompanhando uma crônica nada desejável a qualquer mortal, os preparos inconscientes da eterna despedida. A jornalista Molina Ribeiro vinha atuando em várias frentes, silenciosas, umas, proativas, outras.

Não deixava de nos brindar com sua leveza, no gesto, até, de dizer verdades e, ao mesmo tempo, encetava uma batalha quase silenciosa de reparos à cultura campinense, principalmente no que dizia respeito à figura de seu genitor, Hortênsio Ribeiro.

Este advogado e jornalista, membro e um dos sócios fundadores da Academia Paraibana de Letras (APL), ocupando a cadeira de Afonso Campos, tornou-se uma referência intelectual da cidade no panorama estadual e até nacional (correspondeu-se com Epitácio Pessoa).

Muita gente tem retornado à fama de Hortênsio, mas, aqui e acolá, tem trocado as letras, melhor dizendo, os números.

Ao me deparar com um erro de data de nascimento deste co-fundador da APL, comuniquei o fato a Molina que, de pronto começou sua peregrinação por cartórios e arquivos pessoais, provando aquele erro, a data de nascimento de seu pai. E esta não foi a única. Creio que eu mesmo reproduzi uma destas datas erradas e ela, gentilmente, contribuiu para a retificação.

Em seu ativismo cultural, tanto que suas forças lhe permitiam, colaborava pelo Facebook com informações preciosas como esta:

“Exatamente no dia 11 de abril de 1915 o jovem advogado recém-formado Hortênsio de Souza Ribeiro (estava) em uma reunião literária onde se discutia a arte a cultura e a literariedade de Campina Grande, juntamente com inúmeros senhores da sociedade e comunidade campinense, que semanalmente se reuniam para discutir esses importantes assuntos.

Numa dessas reuniões foi levantada a necessidade de se criar um time de futebol para a cidade. Na ocasião, o jovem Hortênsio Ribeiro, Cezar Vaz Ribeiro e Sindô Ribeiro foram os principais fundadores e idealizadores do Campinense Futebol Clube, título sugerido por Hortênsio, que mereceu a aprovação de todos.

Hoje 11 de abril de 2015, o Campinense Futebol Clube está comemorando o seu centenário de fundação”. (Depoimento de sua filha Molina Ribeiro, no facebook, em 11/04/2015).

Pois bem. Esta crônica de hoje tinha outro título: Molina Ribeiro, um Vulto de Fato! O seu maior empenho nos últimos dois anos foi a luta para reeditar o livro do pai, Vultos e Fatos.

Participando da Comissão do Sesquicentenário de Campina Grande, Molina indicou, entre os títulos de campinenses que iam ser reeditados, como fez Elpídio de Almeida, frente à Comissão do Centenário, em 1964, Molina, pois, sugeriu o livro de Hortênsio,o que foi uma unanimidade, pois a subcomissão de editoração do Sesquicentenário também tinha elencado este livro e mais outros seis para que a PMCG através da Comissão do Sesquicentenário financiasse a reedição.

Acertados os títulos que seriam reeditados, entre eles, os dois de Epaminondas Câmara, o livro Aconteceu em Campina, de Álvaro Leão; Abrindo o Livro do Passado, de Cristino Pimentel e Imagens Multifacetadas da História de Campina Grande.

O livro de Elpídio de Almeida, corria por fora, já que o Instituo Histórico de Campina Grande tinha assumido sua reedição.

Com o intuito de agilizar os trabalhos de reedição e baratear os custos para a Comissão, Molina Ribeiro pagou a digitação de Vultos e Fatos, bem como a correção e adaptação ortográfica. Solicitou a este confrade, que vos escreve, uma apresentação.

O que foi uma honra. Solicitou ao grande professor de literatura, e membro da APL, José Mário um prefácio, o que de pronto foi acolhido pelo mestre da redação concisa, bela e humana.

Ela mesma preparou umas notas de introdução, de forma que a reedição que ela sonhava para o Sesquicentenário seria uma justa homenagem: à memória do pai e ao aniversário da cidade.

No entanto, não se sabe porque esta edição nunca se realizou, pois aprovada em plenário pela Comissão do Sesquicentenário, e sendo alocada uma certa quantia só para as edições, a sub-comissão de finanças desta Comissão jamais realizou o convênio com EDUEPB, para o qual este cronista, aqui, era o coordenador da sub-comissão de edição e fez todos os contatos com aquele editor, só faltando a assinatura do convênio que não ocorreu por parte da entidade municipal.

Portanto, para que nossa confreira não tenha semeado na aridez das picuinhas provincianas, ou de narcisismos tolos, a ponto de não se ter a devida consciência da contribuição cultural de Hortênsio Ribeiro para a sociedade campinense, seria de bom tom a municipalidade, através de requerimento de tantos eméritos vereadores, encabeçados pelo ativista cultural, vereador João Dantas, compete, digo, à municipalidade a reedição de Vultos e Fatos, tal qual preparou a nossa imortal Molina Ribeiro, para que não se aumente o fosso da memória e não fiquemos na orfandade cultural.

(*) Professor, Historiador

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