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“Nós não vai ser preso”

Ailton Elisiário. Publicado em 11 de setembro de 2017 às 7:40

Por Ailton Elisiário (*)

Joesley Batista e Ricardo Saud, o primeiro empresário e dono do grupo J&F e o segundo executivo do mesmo grupo, encontram-se na Polícia Federal, não porque foram presos por ação policial, mas por terem se entregues à polícia se antecipando a autorização de prisão por 5 dias emitida pelo Ministro Edson Fachin. Como bem disse Joesley Batista a Ricardo Saud, “nós não vai ser preso” e parece que realmente “os dois não vai”, pelo menos até agora, vez que estão simplesmente detidos por ordem judicial.

Estão detidos para averiguações, visto que permanecendo soltos há “probabilidade de que possam interferir no ato de colheita de elementos probatórios”, como escreveu o Ministro. A gravação descoberta por peritos da Polícia Federal denota que os delatores omitiram informações ao Procurador Geral Rodrigo Janot, o que pode revogar o acordo de delação premiada, aliás, mais do que premiada, que assegura a esses delatores a ampla, total e plena liberdade.

Desde que Rodrigo Janot acordou com o Joesley Batista e seu irmão Wesley Batista de que  ficariam livres da prisão em troca de informações por ele consideradas impossíveis de se descobrir a não ser por aquele meio, que pesa no semblante de cada brasileiro a imagem de um péssimo negócio para o Brasil, pela institucionalização definitiva da impunidade. Criminosos de alta periculosidade livres totalmente de penas por colaborarem com a Justiça, em pleno confronto com dispositivos legais.  Por isso que o Joesley Batista diz em bom tom na gravação que “a realidade é essa: nós “não vai” ser preso; nós sabemos que nós “não vai”. Vamos fazer tudo, menos ser preso”.

Rodrigo Janot após ter denunciado Michel Temer e este ter escapado de responder a processo em face da não autorização da Câmara dos Deputados, parece que o fato o motivou a limpar a barra passando a denunciar a todos. Luiz Inácio Lula e Dilma Rousseff, que pareciam gozar de certa proteção de Janot, foram os primeiros denunciados por formação de organização criminosa para atuar no esquema de corrupção na Petrobrás, os quais se complicaram mais ainda com a delação de Antonio Palocci. Seguiram-se-lhes a cúpula do PMDB (Edison Lobão, Renan Calheiros, Romero Jucá, Valdir Raupp, Jader Barbalho, José Sarney e Sérgio Machado), a cúpula do PT (Antonio Palocci Filho, Guido Mantega, Edinho Silva, Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann e João Vaccari Neto), ministros de  Estado, ex-ministros e outras pessoas.

O “enquanto houver bambu, vai ter flecha” está funcionando e não importa se for um “gran finale” de Janot. O que esperam os brasileiros é que Joesley e Wesley sejam mesmo presos, além de todos os membros do quadrilhão que quebraram o Brasil.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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