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Noaldo Ribeiro: Viagem de volta pro futuro

Noaldo Ribeiro. Publicado em 21 de maio de 2020 às 19:11

Se as coisas fossem inertes, seria comum, ainda hoje, se cozinhar à lenha. É certo que se assim procedêssemos, imagens das nossas avós, postadas num longo fogão de alvenaria, dando baforadas de cachimbos, voltariam a nossa mente como um filme já visto algumas vezes, incidindo, ainda hoje no cotidiano. Contudo, é preciso entender que tal como o mundo, a roda dos costumes gira. Veio o gás butano, recebido, inicialmente, com temor, mas tornou-se, posteriormente, hegemônico.

Casos similares são correntes e recorrentes. Sempre que se anuncia o novo, todos o vêem como uma flecha direcionada ao coração. Põe-se em perigo tudo que foi construído e que se imaginava ser eterno. E quando se trata de inovações comportamentais e de valores, o temor se converte em pânico. Neste caso, logo aparecem profetas esbravejando que o mundo está em vias de explodir, não faltando a conhecida previsão de que “a roda grande vai passar dentro da menor”.

Tentando fugir desse tão olhar embaralhado, onde o melhor, ou até mesmo o perfeito, se posta necessariamente no passado, vejamos, mesmo que superficialmente, as conclusões da antropóloga Margareth Mead.

Nos seus estudos, ela identifica pelo menos três tipos de cultura – esta, entendida como a experiência vivenciada de um povo, envolvendo suas crenças, valores, comportamentos hábitos…

Em tempos longínquos, nossos infantes construíam sua cultura a partir dos valores dos seus pais e avós. Depreende-se, então, que o futuro reproduziria o próprio passado; Nos anos 60, do século passado, o chacoalhar das lutas que eclodiram em todo o mundo ocidental, revelou-se uma nova forma de construção cultural: os jovens passaram a absorver, mais que os valores dos pais, os valores dos seus próprios pares; Por fim, observa-se – na aurora deste século em curso, marcado pelas revoluções tecnológicas que encurtaram distâncias e alteraram percepções – os pares substituindo os próprios pais.

É certo que este curto texto é apenas uma provocação, tipo: Você já havia pensado sobre essa sociedade atomizada, diversificada, pluralizada? No entanto, caso Margareth esteja correta, teremos que referendar, também, Taiguara (in memória), quando canta: “Nós estamos inventando a vida\como se antes nada existisse\porque nascemos hoje do nada\porque nascemos hoje pro amor\Nós estamos descobrindo os corpos\como as manhãs descobrem as imagens\como o amor descobre a verdade\como a canção descobre uma flor…”.

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