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Noaldo Ribeiro: O Novo “Normal”

Noaldo Ribeiro. Publicado em 16 de junho de 2020 às 10:27

Paraíba Online • Noaldo Ribeiro: O Novo “Normal”

Muito se tem falado em novos comportamentos que, em tese, serão incorporados pela população e pelas instituições quando essa pandemia passar. Fala-se no enfraquecimento do liberalismo, ou neoliberalismo (a escolha é do freguês) e da ascensão do pensamento Keynesiano com vistas a construir, no caso brasileiro, um estado de bem estar social, nos moldes europeus. Bem muito mais, se projeta, também, a ascensão da empatia e solidariedade, a renúncia da ganância das grandes empresas, realçando o seu caráter social, e a santificação de políticos e empresários antes – boa fatia deles – agentes da corrupção, sem falar na adoção de hábitos higiênicos razoáveis. 

Se esse quadro se concretizar, aquela música que diz “A gente não sabemos escovar os dentes\A gente não sabemos escolher presidente…”, de Ultraje a Rigor, não passou de uma interpretação maldosa, uma brincadeirinha sem graça contra o povo brasileiro, sem nenhum vínculo com a realidade.  

Pelo sim ou pelo não, a verdade é que a COVID 19 avança em ritmo acelerado. Na mesma pisada, avançam, também, os superfaturamentos nas compras governamentais de EPIs e respiradores. Quando se decreta lockdown, pipocam bailes Funk e festas clandestinas. Desesperados, sem renda, fazem filas nos bancos que dobram quarteirões (vem pra Caixa você também). Diuturnamente, pequenos aglomerados se formam na frente do Planalto, contando com a aquiescência do mandatário-maior da nação – crente de que essa “gripezinha” nada tem de contagiosa. Em tons surreais, até medicamentos recebem o selo de direita ou esquerda.

Parece o apocalipse de São João, mas não é. A impressão é que o pós-pandemia vai apenas potencializar as condutas culturais dos variados extratos que dão forma a sociedade brasileira. Quem sabe lavar as mãos, vai fazê-lo com maior rigor. Quem acredita que o álcool etílico é vacina contra os vírus vão aumentar o consumo. Os hipocondríacos, mesmo dormindo solitariamente, não dispensarão a máscara e, de meia em meia hora, levantar-se-ão, ao som do despertador, para passarem álcool em gel nas mãos. Nas comunidades, se não for ofensivo, nas favelas, as pessoas continuarão a contrair bactérias, vindas dos esgotos a céu aberto e nem sempre poderão lavar as mãos decentemente, pois, nesses espaços, água encanada é coisa rara. Com maior força, as almas bondosas continuarão a ajudar os mais necessitados e os egoístas não tendem a inverter suas posturas narcísicas. Os governos, independente de serem liberais, abrirão um pouco mais as torneiras do tesouro, mas os corruptos continuarão corruptos. Eles têm consciência de que não podem interromper seu ofício. 

Como o presente texto não se trata de uma análise sistematizada, mas de meros palpites, baseados no olhar do senso comum. Arrisco-me a perguntar e a responder: O mundo será o mesmo no pós-pandemia? Certamente que não. Contudo, os atuais valores, comportamentos, políticas governamentais etc., serão apenas potencializados. Sim, potencializados, seja para o bem ou para o mal.

Ah… Somente para finalizar, acrescentaria que os governos autoritários e totalitários não terão pudor de se valer da situação para impor mais controle a seus cidadãos. Como o rebanho precisa obedecer, nada melhor que acorrentá-lo.

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