Fechar

logo

Fechar

Noaldo de Souza: Campina – a sina da criatividade

Noaldo Ribeiro. Publicado em 16 de março de 2021 às 21:40

Bem antes da academia, de Bill Gates e Steves Jobs e do próprio Vale do Silício, Campina Grande já despontava como uma cidade criativa. Durante a Revolução de 30 a metalurgia da cidade gerou um carro-tanque, pronto para o combate. É verdade, um incidente estragou a invenção. Quando se deslocava para o front os pneus furaram.

Nos primeiros anos da década de 1950, um grupo de intelectuais levou a José Américo de Almeida, então governador, a proposta da criação da Escola Politécnica da Paraíba, a lendária  POLI. Zé Américo, um homem sofisticadamente letrado, bradou: “Estou procurando dar à capital energia elétrica e iluminação pública. Mas a Campina Grande darei mais: dar-vos-ei uma luz que não se apaga”.

A partir de então, estava plantada a semente que brotaria o antigo Campus II da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), atual Universidade Federal de Campina Grande. Um pouco depois, por volta dos anos 60, do século passado, professores, comerciantes e profissionais liberais se cotizaram, chegando a promover a rifa de boi e, com isto, adquiriram e doaram a POLI um computador IBM 1130 do tipo mainframe. Seria o 3º a ser instalado no país.

Esta aventura bem sucedida criou as condições para a cidade tornar-se um polo tecnológico, atualmente produzindo e exportando softwares, o que veio a merecer menção da revista norte-americana Newsweek, colocando a cidade como o “Vale do Silício Brasileiro”.

Quando nem se pensava que a Internet fosse produzir ídolos sertanejos e arrebatar milhões de seguidores para influences, Carlos Alain criava uma operadora made in Campina (CGNET), ainda acionada por telefone e responsável pelas primeiras lives – hoje tão populares.

Não se sabe se por telepatia ou combinação, os melhores sapateiros da cidade se alojaram no bairro de José Pinheiro, orgulhosamente chamado de Zepa – berço dos jogadores Pedrinho Cangula, seu filho Marcelinho Paraíba e Hulk. São das oficinas de fundo de quintal que são produzidos os melhores sapatos da região, faltando apenas um toque de um bom designer para convertê-los em produto de exportação.

Por essas e por outras, assim falou Gilberto Gil, como se fora Zaratustra: “…essa capacidade de tudo ser e tudo não ser ao mesmo tempo – típico do cosmopolitismo que Campina Grande tem e que aparece na música de Jackson do Pandeiro com aquela malevolência e aquela malandragem”.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Noaldo Ribeiro
Noaldo Ribeiro

* Sociólogo.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube