Quantcast

Fechar

logo

Fechar

Navegando pelo Nilo

Ailton Elisiário. Publicado em 30 de abril de 2019 às 11:51

Saindo de Luxor iniciamos o cruzeiro pelo Nilo em direção a Edfu. Durante o percurso entre Luxor e Edfu fomos acompanhados por barqueiros negociantes que amarram seus pequenos botes no navio e ficam oferecendo seus produtos, em geral peças de tecido como lençóis, toalhas, roupas, etc. Eles jogam as peças que caem no navio e os compradores as devolvem se não querem comprá-las ou jogam o dinheiro daquelas que se interessam juntamente com as demais. Isto vai por toda a tarde e noite adentro, até o ponto em que o navio passa pela eclusa do rio.

Em Edfu conhecemos o Templo de Hórus, de origem ptolemaica. Hórus era filho de Isis e Osíris, tendo Isis sido fecundada por Hórus quando este estava morto. A fecundação ocorreu quando Isis, sob a forma de pássaro, pousou sobre a múmia de Osíris. Hórus é representado pelo falcão e seus olhos representam o sol (o direito) e a lua (o esquerdo). À entrada do templo encontra-se uma grande imagem de mais de dois mil anos em granito de Hórus.

Voltamos a navegar pela tarde em direção a Kom Ombo e nesse local conhecemos o templo construído por Ramsés II dedicado ao deus crocodilo Sobek. Esse deus tinha corpo humano e cabeça de crocodilo. Após passarmos pelo museu onde estão várias múmias de crocodilo retornamos ao cruzeiro para continuarmos navegando até Aswan. Depois de navegarmos algum tempo, porém, a embarcação teve que retornar a Kom Ombo porque lá ficaram as colegas Cláudia e Lígia. Estavam podendo essas criaturas, pois fazerem um barco de cruzeiro desviar o seu curso apenas para ir buscá-las, só o poder do encanto baiano para enfeitiçar o comandante do barco.

Após o jantar a bordo tivemos uma noite árabe, todos vestidos com a indumentária árabe: túnica, gutra, igal, turbante, para os homens; túnica, icharb e adereços, para as mulheres. Nenhuma delas usou a burqa, isto é, a vestimenta que cobre todo o corpo, o rosto e os olhos, deixando pequena tela na parte dos olhos, para que se possa enxergar. Nós éramos os califas, os sheiks e elas eram as nossas odaliscas. Shakira, a cantora colombiana de descendência libanesa que com quatro anos de idade começou a ter aulas de dança árabe, estava entre nós incorporada na baiana Cláudia.

Já em Aswan, pela madrugada saimos com destino a Abu Simbel, um complexo arqueológico formado por dois grandes templos escavados na rocha dedicados o maior a Ramsés II e aos deuses Ra, Ptah e Amon e o menor, a rainha Nefertari e a deusa Hator. Antes desfrutamos da linda vista do nascer do sol no deserto. Entre 1964 e 1968 esses templos foram deslocados para uma zona mais alta, para não ficarem submersos nas águas do lago Nasser, secundário da represa de Aswan. O templo recebe a luz solar no seu interior mais profundo apenas duas vezes por ano, a 22 de fevereiro e a 22 de outubro, para celebrar as datas do nascimento e da coroação do faraó, iluminando a sua estátua.

À tarde fizemos um relaxante passeio de feluca pelo Nilo e visitamos uma aldeia núbia, sendo recebidos por uma família tradicional com bebidas frescas à base de chá de hibisco e comidas típicas. Um passeio de camelo margeando o rio foi feito por alguns companheiros, tendo antes João se banhado nas águas do Nilo. À noite após o jantar mais uma festa no navio, desta feita com um show de artistas núbios.

No dia seguinte comemoramos no café da manhã o aniversário de Lígia e visitamos a represa de Aswan, uma mega construção de engenharia feita com a ajuda da então União Soviética, responsável pela geração de grande parte de energia consumida pelo Egito. Junto a ela está o monumento Flor de Lotus, que celebra a parceria egípcio-russa para esta obra. Fomos ver o obelisco inacabado, um bloco de pedra com quase 42 metros de altura e mais de 1.200 toneladas, cujo trabalho foi abandonado por causa de uma fenda surgida na pedra que tornaria imperfeito o obelisco. Eram das pedreiras de Aswan que os egípcios faziam os obeliscos, as colunas dos templos, as estátuas, as tumbas. Passamos numa loja de papiros onde adquirimos belos trabalhos de arte. Seguimos, então, ao aeroporto para embarque com destino ao Cairo e dali o retorno aos nossos lares.

A viagem ao Egito foi magnífica. Além das maravilhas do país fizemos novas amizades e nos divertimos muito. Agora, alguns registros. Nosso guia Alim com toda sua simpatia, domínio da língua portuguesa e conhecimentos de história e de egiptologia cativou a todos. Elena na sua tranquilidade zen ligada o tempo todo para que nada faltasse à Família Habib’s.  Guilherme que não esfriava a câmera, fotografando e filmando tudo e Nélida fazendo as gifs artísticas com o aplicativo instalado no celular. Enquanto os casais Mário e Cida e Hamilton e Rosa relembravam suas viagens, Marília e Elide não esqueciam os problemas brasileiros. Cássio e Luciana em cada lugar sempre fazendo o reconhecimento do terreno para tranquilidade da turma. Cláudia andando desligada das coisas e Lígia preocupada com tudo. João sempre alegre e solícito, eu e Socorro observando tudo para a escrita destas quatro crônicas: Passeio por Alexandria, Visita ao Cairo, Estada em Luxor e Navegando pelo Nilo. A todo grupo agradeço pela boa convivência naqueles felizes dias, dizendo como Alim nos ensinou: shukram.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Ailton Elisiário
Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube