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Campina Grande - PB

Natal: tempo de se despir

20/12/2017 às 17:26

Fonte: Da Redação

Foto: Ascom

Recentemente, na fila de um banco, ouvi duas jovens conversando. Na verdade, falavam de coisas do cotidiano.

No entanto, o tom de voz não permitia que os demais integrantes da democrática fila deixassem de ouvir a conversa.

Compulsoriamente, invadíamos um espaço privado. Em determinado momento, o tema da conversa passou a ser a crise por que passa o Brasil.

Uma das jovens, ao exemplificar os efeitos da violenta crise em sua vida, declarou: “a coisa está tão feia que este ano vou usar no Natal o mesmo vestido que usei em 2016”.

Diante dessa afirmação, passei a refletir, não sobre a crise. Mas, sobre o sentido de “vestir uma roupa já usada” no Natal anterior.

De fato, o Natal se presta à efervescência do consumo. O comércio, freneticamente, acolhe os consumidores, na esperança de que o tal espírito natalino possa contribuir para melhores os péssimos indicadores de vendas dos demais meses do ano, com raras e pontuais exceções.

Os centros das cidades se tornam espaços de inquietante aglomeração. O trânsito congestiona. As filas aumentam. Os estacionamentos lotam.

Os vendedores das lojas e até os clientes se estressam. Enfim, o comércio retrata o recrudescimento do consumo, face ao período natalino.

Roupas novas, presentes trocados e mesas fartas.

Essa é uma das tríades possíveis para descrever o sentido do Natal para muitas pessoas. No entanto, qual a relação desta tríade com o verdadeiro sentido do Natal?

É desnecessário recordar que o Natal representa o nascimento de Jesus, também denominado de Natividade – uma referência aos relatos do nascimento de Jesus presentes principalmente nos evangelhos de Lucas e Mateus, mas também em alguns textos apócrifos.

No mundo inteiro, milhões de cristãos comemoram no dia 25 de dezembro o nascimento de Jesus.

Mas, será que Jesus nasceu mesmo neste dia? Será que para o Mestre Jesus faz diferença que a humanidade comemore o Seu nascimento nesta data ou em outra qualquer?

Dizem que esta data foi determinada pelos líderes da Igreja Católica para que coincidisse com uma festa pagã dos romanos, alusiva ao nascimento do sol inconquistado que comemorava o solstício do inverno.

Ou seja, seria uma forma estratégica de fazer com que o Cristianismo fizesse mais sentido para os pagãos convertidos.

Portanto, o dia 25 de dezembro é uma convenção social – um costume.

Mesmo assim, faz sentido comemorar nesta data o nascimento de Jesus por uma simples razão – devemos celebrar esse nascimento todos os dias do ano.

O Natal resgata a história de Deus se tornando um ser humano na pessoa de Jesus Cristo para trazer à humanidade uma mensagem transformadora e libertária.

Uma mensagem alicerçada no amor. Portanto, o verdadeiro significado do Natal é o amor. São João Evangelista ou Apóstolo João, retrata de uma forma única o sentido do amor presente no nascimento de Jesus, quando assevera:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (João 3:16-17).

Assim, celebrar este ato de amor incrível de Deus para com a humanidade, caracteriza o verdadeiro sentido do Natal. Natal é sinônimo de amor.

Neste sentido, precisamos renovar este nascimento de Jesus em nossas vidas, cotidianamente e não apenas no dia 25 de dezembro.

É preciso revisitar o nosso templo interior para reacender a chama da fé e da esperança, não apenas no dia 25 de dezembro.

É preciso refletir sobre nossas ações e atitudes, a fim de nos tornarmos pessoas melhores, não apenas no dia 25 de dezembro.

É preciso cultivar o espírito da solidariedade e da fraternidade para nos aproximarmos do amor de Deus, não apenas no dia 25 de dezembro.

Penso que o sentido maior do Natal não reside em usar um “vestido novo” ou sequer em repetir o mesmo vestido no ano subsequente, face à crise que assola a economia do Brasil.

O sentido do Natal para mim é exatamente o inverso – é preciso se despir.

É preciso se despir à semelhança do que fazemos com roupas velhas que já não se prestam ao uso. É preciso se despir da roupa velha para deixar à mostra um homem novo.

Nos despindo da roupa velha, também se descarta com ela o homem velho que sempre fomos, marcado por atitudes e comportamentos que nos distanciam da mensagem libertadora do Cristo.

Os signos e sentidos externos do Natal, que exortam o consumismo desenfreado, as atitudes momentâneas de solidariedade e os comportamentos efêmeros de fraternidade, nada mais são do que tentativas de se apresentar aos olhos da sociedade como um “homem novo”, mas que, na verdade, não de “despiu” da roupa velha.

Quem vive o verdadeiro sentido do Natal assume uma nova posição diante da vida, não apenas no dia 25 de dezembro.

Quem vive o verdadeiro sentido do Natal se despe do homem velho e passa a trilhar os caminhos da vida em comunhão com a mensagem libertadora de Jesus que exalta o amor ao próximo como condição para chegar ao Pai, não apenas do dia 25 de dezembro.

Que possamos neste Natal começar a se despir do homem velho, a fim de que nasça em nós uma nova criatura que possa viver uma nova posição diante dos Olhos de Deus.

“O velho homem é posto fora, e nós podemos agora andar em novidade de vida por meio de Cristo” – esse é o excelso sentido do nascimento de Jesus em nossas vidas e para a humanidade – o verdadeiro Natal.

Feliz nascimento de Jesus, sempre”

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