Fechar

Fechar

Não votar também é um direito

Jurani Clementino. Publicado em 3 de outubro de 2016 às 9:55

Jurani

Por Jurani Clementino (*)

Ontem, eu não votei. Fiz questão de não votar. Não estava me sentindo a vontade. Acovardei-me. Estava decepcionado. A última vez que votei vi um circo caçar meu voto dois anos depois. Isso não foi bom pra mim. Fiquei desacreditado. Sei que não devia, mas foi inevitável. Como cidadão, jornalista e professor, acompanhei todo o processo. Por volta de meio dia, fui até uma seção eleitoral para justificar meu voto. Acabrunhado como se estivesse vencido. Como se a mim restassem apenas as batatas. No final da tarde sai nas ruas. Fui sentir o clima. Fiquei surpreso. Era emoção a toda prova.

Em Campina Grande parece que existe uma lei ordenando todo mundo a ficar do lado de fora de casa. Calçadas e esquinas ficam disputadas. Eleitores exibem as suas intenções com bandeirolas e camisas de candidatos. Também me fiz presente em alguns poucos grupos virtuais de amigos. Os grupos da família teve desentendimento. Nem todo mundo desejava a mesma coisa. Quem não saiu “voluntariamente” foi convidado a deixa-lo. Isso me assusta. Mas faz parte do processo. Política não é razão, cada vez mais vejo a emoção tomar conta das pessoas. Emoção pela defesa do lado A ou do lado B.

Indiretamente torci por algumas figuras. Mais do legislativo do que mesmo do executivo. Em minha cidade os ânimos foram alterados desde o início da campanha. Prefiro entender como algo normal. Não sei o que é normal. Tudo parecia tão diferente. Não há segredo no voto. Todo mundo expunha suas intenções. Em campina, ao final das eleições uma multidão empolvorosa saiu de casa. Arrancaram os canos de escape das motos e um barulho ensurdecedor tomou conta da cidade. As bandeirolas do candidato vencedor em primeiro turno tomaram as ruas. Todos os caminhos levavam ao Parque do Povo. Esse parecia ser o lugar de comemoração. O candidato derrotado nos faz perguntar: golpistas não tem vez!? Difícil responder já que o maior apoiador do vencedor foi um dos maiores algozes do impeachment da presidenta Dilma. Mas um fato é importante destacar: Cássio não apareceu em momento algum ao lado do prefeito eleito. Isso pode ser bobagem, mas diz muito. Há quem atribua todos os méritos ao próprio Romero.

Existe uma campanha nacional contra o partido dos trabalhadores encabeçada por um juiz de Curitiba. E isso repercutiu nas urnas. Mas não quero ser muito amplo. Quero fazer análise micro. Meu desanimo não me permite ir muito longe. Preciso me reduzir as questões locais. Quero dizer que fiquei feliz pela vitória do vereador Antônio Alcântara para a câmara de vereadores de Várzea Alegre – CE. Uma pessoa que tem origem e experiência na liminaridade. Foge dos padrões. Exerce uma militância marginal. Certamente encontrará muitos desafios pela frente. Torço para que seja mais uma vez vitorioso. Que exerça o mandato com dignidade e honre os quase mil votos depositados. Feliz por um filho do distrito de Canindezinho ter, finalmente, o seu representante. Que os ânimos se acalmem e que todos possam sobreviver esse pleito. E que eu possa reconquistar a minha alto-estima de eleitor. Até a próxima. Parabéns a todos. Vida que segue. Hoje é segunda.

Campina Grande – 03 de outubro de 2016

(*) Jornalista, Escritor, Professor

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

[email protected]

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube