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Não plante a maldade

Rafael Holanda. Publicado em 4 de dezembro de 2017 às 9:37

Por Rafael Holanda (*)

Nunca se esbalde com a desgraça alheia e nem seja capaz de fazer mesmo mediante a um ódio intrínseco, propagação do tipo leviana em decorrência de sofrimentos de outros.

Saiba que a vida é uma malha que se comunica por meios de estradas que vão e voltam e nunca é uma reta, pois os males que desejas a alguém com certeza lhe serão entregue como presente na primeira oportunidade.

Quando guardares dentro da mala do teu pensamento uma expressão que possa ferir o que chamas de inimigo, com certeza os adjetivos escolhidos caberão dentro do seu caminho, quando menos esperas.

Quando alguém estar ferido necessita de ajuda quer seja através de orações ou um telefonema que é capaz de desmoronar a barreira que existia entre aquele que se posta à dor e aquele que se achava ferido.

O direito de alguém que perturbou o seu trajeto merece ser reavaliado num momento de extrema miséria, não jogue o pão no lixo quando deveria matar uma fome, e não se exclua de uma tristeza quando há lágrimas para chorar.

Deus na sua infinita bondade, apenas nos mostrou o lado puro que é o amor, mas por nossos atos criamos as nossas próprias manobras, com instinto principal de sentir até que ponto o homem consegue suportar sofrimentos.

Alegamos não estar em casa quando alguém lhe bate a porta excluímos dos nossos pensamentos sem buscar uma resposta a uma aflição, não lamentamos que na periferia alguém morresse no frio, se curva na fome.

Há na realidade miséria em cada canto que a nossa visão possa alcançar, alguns trazem as suas dores que são visíveis em seus olhos, outros se encontram entre paredes, sem contacto, sem vida na mais profunda solidão.

Deixem que o sossego da dor se acalme, não tente inventar histórias para que lá na frente haja sempre alguém para rir, as tristezas alheias podem correr estradas, e nas respostas, o seu caminho saia de tudo isso como apenas o ferido.

Quando o canto da lágrima for composto por letras que voam e são mentirosas, quando tudo que ouvir não ter base legal para propagar seja o silêncio da bondade para o vento não leve adiante a vontade de matar alguém.

Nas grandes calamidades se transforme em bondade. São nestes infortúnios discretos e ocultos que o seu direito de exercer a arte de servir passa a ser descoberta, sem que alguém continue esperar pela assistência.

Hoje não se admite estes instintos selvagens, hoje nós estamos na arte mais bela do perdoar, de encantar e abortar o ódio, pois a vingança é uma inspiração das mais funestas, quando se tem por companheiras a falsidade e a baixeza.

É hora da piedade universal, de saber onde o grito de desespero se esconde e tratar de encontrar, de lembrar que na porta do céu, apenas existe uma maneira de entrar, e esta,com certeza, não é larga para as maldades.

(*) Médico

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Rafael Holanda

* Médico.

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