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Na frente, no meio, atrás

Dom Genival Saraiva. Publicado em 23 de maio de 2017.

Por Dom Genival Saraiva (*)

Observadas as disposições canônicas da Igreja, desde sua nomeação, no dia 8 de março, a sua posse, no dia 20 de maio de 2017, Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, OFMCap, tornou-se o 7º Arcebispo da Paraíba. O Decreto “Christus Dominus” do Concílio Vaticano II coloca a figura do Bispo como um elemento essencial da instituição Diocese. Portanto, fica claro que não pode haver Diocese sem Bispo; pode haver Bispo sem Diocese, como é o caso dos Eméritos. “Diocese é a porção do Povo de Deus que se confia a um Bispo para que a apascente com a colaboração do presbitério, de tal modo que, unida ao seu pastor e reunida por ele no Espírito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual está e opera a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica. Cada Bispo, a quem é confiada uma igreja particular, apascenta em nome do Senhor as suas ovelhas, sob a autoridade do Sumo Pontífice, como próprio, ordinário e imediato pastor, exercendo em favor das mesmas o múnus de ensinar, santificar e governar”.

A linguagem conciliar apropria-se da linguagem do próprio Jesus ao usar o verbo apascentar e os substantivos pastor e ovelhas. Institucional e pastoralmente, o Bispo é um pastor em sua Diocese e o povo de Deus é o seu rebanho. O Papa Francisco assim considera o Bispo em sua missão. “Ao ordenar novos Bispos em Roma, o Papa Francisco lhes faz três recomendações. Primeiro, que sejam pastores com cheiro de ovelhas, presentes no meio de sua gente como Jesus, o Bom Pastor. A presença de vocês não é secundária, é indispensável. As próprias pessoas pedem isso, desejam ver o seu Bispo caminhar com elas, para estarem próximas dele. Não se fechem! Vão para o meio de seus fieis, inclusive nas periferias de suas Dioceses e em todas as ‘periferias existenciais’ onde há sofrimento, solidão, degradação humana. Presença pastoral significa caminhar com o povo de Deus: na frente, assinalando o caminho; no meio, para fortalecer a unidade; atrás, para que ninguém se desgarre, mas, sobretudo, para acompanhar o olfato que o povo de Deus possui para encontrar novos caminhos.

Segundo, os Bispos devem ser pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão, pacientes e misericordiosos, capazes de escutar, compreender, ajudar e orientar. Homens que amem a pobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham psicologia de príncipe. (…)

Terceiro, o Bispo precisa ficar com o rebanho. Refiro-me à estabilidade, que tem dois aspectos específicos: ‘permanecer’ na Diocese, e permanecer ‘nesta’ Diocese, sem buscar transferências ou promoções. Os Bispos precisam ser homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja, sem viver na expectativa de outra, melhor ou mais rica. Tenham o cuidado de não cair no espírito do carreirismo, que é um câncer na Igreja. Como pastores, não é possível realmente conhecer o próprio rebanho, caminhar na frente, no meio e atrás dele, cuidá-lo com o ensinamento, a administração dos sacramentos e o testemunho de vida, caso não permaneçamos na Diocese”.

Dom Delson chegou, física, espiritual e pastoralmente para estar à frente, no meio e atrás do rebanho que lhe foi confiado pela Igreja. Acolhido alegremente pelo povo já o foi; que seja acompanhado pela oração de todos, em sua solicitude pastoral, na histórica Arquidiocese da Paraíba.

(*) Bispo Emérito de Palmares (PE)

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Dom Genival Saraiva

*Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba

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