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Na atraente Bratislava

Ailton Elisiário. Publicado em 5 de dezembro de 2017.

Por Ailton Elisiário (*)

Saindo de Praga com destino a Viena fizemos uma parada para o almoço em Bratislava, a capital da Eslováquia. Uma pequena cidade situada nas fronteiras com a Áustria e Hungria, com cerca de 430.000 habitantes, de ruas estreitas e praças encantadoras. O pouco tempo que lá passamos deu para termos uma visão geral da cidade, onde em rápido passeio a pé descobrimos o Castelo que foi a residência dos reis e que se encontra erguido numa colina, 85 metros acima do rio Danúbio, como um guardião da cidade velha.

Estivemos na Catedral de São Martinho de estilo gótico. No topo da sua torre está o modelo dourado da coroa de Santo Estevão, que pesa 300 quilos e data de 1765, numa alusão ao período de 1563 a 1830, quando os monarcas húngaros eram ali coroados. Na nave estão a estátua equestre em chumbo de São Martinho e o Mendigo e o relicário de prata contendo o corpo de São João Elemosynarius, o patriarca de Alexandria, ambas as obras do escultor austríaco Raphael Donner.

A rua de São Miguel, muito movimentada em razão de pequenas lojas, galerias e adegas, leva ao portão de mesmo nome. Nesse portão fica o marco zero da cidade, onde estão listadas as distâncias para as grandes metrópoles mundiais. Abaixo do portão encontra-se a rua Bastová, a mais estreita da cidade, com cerca de 2 metros de largura, onde no passado ficava a casa do carrasco da cidade. Ao norte dele está o Palácio de Grassalkovich, que era ponto de encontro da aristocracia húngara e hoje residência do Presidente da República.

Na praça principal estão a antiga Câmara Municipal e o Palácio Primacial. No primeiro prédio aconteciam as sessões do conselho da cidade, as recepções aos visitantes importantes e as audiências judiciais. No segundo residia o arcebispo. Atualmente o conjunto integra a moderna Câmara Municipal. Bem próximo está o Teatro Nacional Eslovaco.

Como em todas as cidades Bratislava tem suas estátuas. Delas, duas chamam a atenção dos turistas.  A estátua de Cumil na esquina das ruas Panská e Laurinská é a que tem mais fama. Cumil em eslovaco é traduzido por Observador. Concebida pelo artista Viktor Hulik em 1997, é um trabalhador com os braços cruzados saindo de um bueiro. Como ela está no chão e já tendo sido atropelada por carros, foi colocada ao seu lado uma placa de trânsito em que se lê: “Man at work” (Homem trabalhando).

A outra na rua Rybarská é a estátua de Schöne Náci, um habitante pobre do início do Século XX, um doente mental que caminhava pela cidade com trajes elegantes (fraque) e saudava a todos com seu chapéu (cartola). Em ambas tiramos fotografias que adicionamos a da estátua viva de um cavaleiro medieval que se achava em frente do Náci. Socorro se assustou quando ao aproximar-se desta estátua ela se curvou em reverência, num gesto nobre de cavaleiro ante as damas.

Há várias histórias que se contam a respeito da estátua de Cumil. Uns dizem que ela representa o operário comunista que, muitas vezes, deixava de fazer seu trabalho por saber que tinha o seu emprego garantido pelo governo. Isso é uma crítica ao regime comunista a que o país foi submetido quando fazia parte da Tchecoslováquia. Outros dizem que é o trabalhador que tinha dado uma pausa no seu trabalho para ficar olhando as belas pernas das mulheres que passavam à sua frente.

Mas, há também quem diga que quem toca a cabeça da estátua tem um desejo realizado, desde que o pedido seja mantido em segredo. Como a Eslováquia não é comunista e a outra situação caracteriza assédio sexual, preferi a alternativa da simpatia e passando a mão sobre a cabeça da estátua fiz o meu pedido e vou mantê-lo guardado para sempre para que ele se realize.

Nosso almoço foi um prato típico da região, o “bryndzove halusky”, uma massa de batata parecida com o nhoque, com creme de queijo de carneiro e bacon, naturalmente acompanhado de um excelente vinho eslovaco, quando sabemos ser Bratislava produtora de vinhos de premiação assegurada nas feiras internacionais, oriundos das encostas dos Pequenos Cárpatos em torno da cidade.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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