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Músicas de inspiração maçônica

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 3 de agosto de 2019 às 11:34

Preservo em meu computador um arquivo de áudio no qual o saudoso Artur da Távola apresenta e comenta duas grandes obras da música erudita: o Concerto para Clarinete e Orquestra (K622) e o Quinteto para Clarinete e Cordas (K581), obras da fase final da vida de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).

Artur da Távola foi advogado, jornalista, escritor, professor, radialista, político, alem de ter sido idealizador e apresentador do programa “Quem tem medo da música clássica?”, veiculado pela TV Senado, entre 1999 e 2008.

No citado áudio, ao comentar o fato de Mozart ter escolhido o clarinete como instrumento básico para compor essas duas obras, o apresentador levanta a hipótese de que essa seria uma forma de Mozart homenagear Anton Stadler, clarinetista austríaco, amigo e irmão maçom, que o teria introduzido na maçonaria.

 Ainda de acordo com Artur da Távola, “A flauta mágica” (K620) e “A clemência de Tito” (K621) seriam, também, duas obras de Mozart de forte influência maçônica.

Antes de comentar o Concerto para Clarinete e Orquestra propriamente dito, Artur da Távola teceu algumas considerações sobre a perícia do clarinetista Benny Goodman, grande nome do Jazz e das “big bands” norte-americanas, que depois de deixar a música popular se aproximou da música chamada clássica.

No primeiro movimento do Concerto para Clarinete e Orquestra, na gravação de 1956, Benny Goodman, acompanhado da Orquestra Sinfônica de Boston, sob a regência do maestro Charles Munch, sendo os “legatos” (forma de ligar as notas musicais de modo que não haja nenhum silêncio entre elas), responsáveis pela fluidez e a leveza do concerto.

O segundo movimento, o “addagio”, foi apresentado como uma obra de grande transparência sonora, cheia de sugestões de timbres, culminando com o terceiro movimento, o rondó: “allegro”, desenvolvido de tal forma que toda a extensão do clarinete é utilizada de forma magistral por Benny Goodman.

Encerrando os comentários sobre o Concerto para Clarinete e Orquestra, Artur da Távola exprime a sua opinião que “esse conserto seria a síntese de todos os outros compostos por Mozart ao longo de sua vida, notadamente para piano e violino”.

Na sequência, foi apresentado o Quinteto para Clarinete e Cordas, obra anterior ao Concerto para Clarinete e Orquestra. Nessa gravação, a execução do clarinete está a cargo de Benny Goodman, acompanhado do quarteto de cordas de Budapeste, composto por Josef Roismann, no primeiro violino, Alexander Schneider, no segundo violino, Boris Kroyt, na viola, e Mischa Schneider no violoncelo.

Estruturado em quatro movimentos: “allegro”, “larghetto”, “menuetto” e “allegretto com variazioni”, esse Quinteto para Clarinete e Cordas é uma obra de grande maturidade e, na opinião de Artur da Távola, guarda uma grande semelhança com o Concerto para Clarinete e Orquestra.

Saindo do campo da música erudita para o contexto da música popular brasileira, podemos registrar, dentre outras, duas músicas de clara inspiração maçônica: “Acácia amarela”, composta por Luiz Gonzaga e Orlando Silveira, gravada em 1982, e o samba-enredo “Heróis da liberdade”, lançado no carnaval de 1969, composto por Silas de Oliveira, Mano Décio e Manoel Ferreira para a Escola de Samba Império Serrano.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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