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Mulheres que engrandecem III

José Edmilson Rodrigues. Publicado em 2 de dezembro de 2019 às 13:01

Mulheres que engrandecem é um projeto de construção de memória, trazendo nomes, compondo uma lista de personagens femininas que elevam e fizeram a história de Campina Grande. Os verbetes abaixo ainda estão em fase de aprimoramento, como outros nomes que pesquisaremos para figurar nesse elenco de mulheres que engrandecem. Uma referência aos 155 anos de emancipação de Campina Grande.

Fazemos, então, um convite a você leitora e a você leitor para conhecer um pouco da história de nossa cidade através das mulheres que conduziram e conduzem a existência de nossa cidade.

Para compreensão melhor, vejam textos anteriores (primeira parte): https://paraibaonline.com.br/colunistas/jose-edmilson-rodrigues-mulheres-que-engrandecem/

(segunda parte): https://paraibaonline.com.br/colunistas/jose-edmilson-rodrigues-mulheres-que-engrandecem-2/ 

Deste modo, nesta terceira parte, elencamos alguns verbetes por ordem alfabética:

ESMERALDINA AGRA RAMOS (Dona Passinha Agra) 

Nasceu na Fazenda Tanques Grandes, município de Campina Grande em 12 de abril de 1914, faleceu em 18/05/2007, filha de Josino da Costa Agra e Leonília Agra de Souza Campos. Fez as primeiras letras com a professora “Dona Noca” e estudou com o professor Mauro Luna. Pesquisadora e memorialista da genealogia da família Agra. Escreveu sobre política, religião, meio ambiente e questões patrimoniais. Publicou as plaquetas “Sol e Luar” e “Lágrimas de Saudade”. Sua casa era um verdadeiro laboratório de pesquisas visitado por professores, estudantes, intelectuais e pesquisadores. Contribuiu para a instalação do Museu Histórico de Campina Grande juntamente com o professor William Tejo e Walter Tavares.

ESTEFÂNIA MANGABEIRA 

Nasceu no dia 16 de janeiro de 1894, na cidade de Macaíba no Rio Grande do Norte, filha de João Paulino de Azevedo Mangabeira e de D. Maria Amélia Mangabeira, família considerada de classe média; era muito estudiosa. Fez os primeiros estudos na sua terra natal; a família sempre ligada às letras e aos estudos foi residir em Belém do Pará, onde Estefânia diplomou-se na Escola Normal do Pará, voltando depois ao Rio Grande do Norte, exercendo o magistério na Escola de Currais Novos, no sertão potiguar onde exerceu atividade de professora do grupo escolar Capitão Sálvio, colaborando nesta cidade do Seridó com o jornal “O Batel” escrevendo poemas e publicando os seus dois primeiros livros, denominados Lírios Roxos e Luzes Pálidas. Estefânia, sobrinha do venerado poeta Campinense Antônio Mangabeira, por muitos anos residiu em Campina Grande, onde era amiga de Felix Araújo, Antônio Telha, Edvaldo do Ó e outros intelectuais. O tio foi secretário de Educação do Prefeito Newton Rique, e sofrendo os efeitos de cassação do então Prefeito. Estefânia foi membro da Ala Feminina da Rainha da Borborema. Residiu também em Natal e Currais Novos. Nesta última, contraiu casamento com Francisco Paulino de Barros, constituindo com ele uma família de três filhos, Talita Tarcita, Myriam Niafran e Moyses Paulino de Barros. Em Belo Horizonte –  Minas gerais, em 27 de agosto de 1974, faleceu aos 80 anos de idade.

Era grande poeta de cunho sacro, especializando-se em assuntos bíblicos, tendo escrito para as revistas Voz Missionária, SAF em revistas e para os jornais: Rosa de Saron e Batista Mineiro. Como escritora fez raro sucesso, publicando em Campina Grande livros intitulados “Natimorta”, “Flagelos”, “Vagalumes”, sendo a primeira mulher a publicar um livro em Campina Grande em 1928, justamente o ‘Natimorta’, pela Gráfica Pantuária. 

FIDÉLIA CASSANDRA PEREIRA DE ARAUJO 

Nasceu em Campina Grande em 19 de junho de 1962, filha de José Pereira de Araújo e Maria Betânia Pereira. Estudou no Colégio Alfredo Dantas, UFPB-Letras e UEPB-Jornalismo. Bancária, professora de Inglês, jornalista (foi apresentadora do jornal local da TV Borborema/produtora e locutora da Rádio Campina FM. Cantora e compositora. Diretora de cultura do Sindicato dos Bancários, foi coordenadora de cultura do Museu Assis Chateaubriand da UEPB. Poeta com livros publicados: Amora (2002), Plumagem (2008), Melikraton (2013) e por último, o livro de poemas ‘Antes de ser Blues’, pela Editora Arribaçã (2019).

FRANCILENE PROCÓPIO GARCIA 

Nasceu em Campina Grande em 30 de maio de 1967, filha de Francisco Carlos Garcia e Maria Marilene Procópio Garcia. Estudou o ensino fundamental e médio na escola Sagrado Coração de Jesus e na Escola Virgem de Lourdes. Graduou-se em Ciências da Computação pela UFPB, em 1987, fez especialização em Qualidade e Produtividade, mestrado em Ciências da Computação pela UFPB em 1994 e Doutorado em Engenharia Elétrica pela UFPB, 1999. Foi pesquisadora visitante na Tsinghua University, China (1996-1999). Presidente da ANPROTEC – Associação Nacional de Entidades Promotoras de Tecnologias Avançadas (2012-2015). Presidente do CONSECTI –  Fórum das Secretarias Estaduais para Assuntos de CT&I (2015-2018). Membro do Conselho Nacional de C&T (2015-2018). Conselheira da FINEP (2015-2018). Conselheira do CGI.br – Comitê Gestor da Internet do Brasil (2015-2018). Conselheira do Conselho Deliberativo do SEBRAE Nacional (2012-atual). Secretária Executiva de Ciência e Tecnologia do Estado da Paraíba (2011-2018), Diretora-Geral da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba – PaqTcPB (2007-2016), e professora da Universidade Federal de Campina Grande de 1989 até hoje.

Em 2018 foi agraciada com a Ordem Nacional do Mérito Científico como personalidade nacional por sua contribuição para o desenvolvimento da ciência no Brasil. Trabalha na área de Ciência da Computação, com ênfase em Processos de Desenvolvimento de Produtos de Software e sistema de apoio à decisão, e na concepção e gestão de políticas públicas de CT&I e empreendedorismo inovador.

LAUDICÉIA LIMA AGUIAR 

Natural de Sapé (PB), radicada em Campina Grande desde a década de 1970.  Casada com o empresário Francisco Aragão, com o qual teve quatro filhos, Sammara, Fabrini, Suellen e Raniere. É voluntária em programas de apoio às causas sociais e dos menos favorecidos. Dedica parte do seu tempo a entidades assistenciais, a exemplo da Pastoral da Criança, Associação Cristã Feminina e ao Instituto São Vicente de Paulo. Em 2001 criou a Fundação Suellen Carolini, uma instituição beneficente dedicada às artes. O nome da fundação homenageia uma de suas filhas que faleceu vítima de acidente automobilístico.

LUÍRA FREIRE MONTEIRO 

Nasceu em Campina Grande em 23 de março de 1962. Filha de Lucas Hygino Monteiro, funcionário público, e de Iraci Freire de Figueiredo Monteiro, enfermeira. Fez os estudos iniciais no Grupo Escolar Félix Araújo e na Escola Modelo Polivalente, no Catolé, onde viveu sua infância e juventude na antiga Rua Santa Margarida (atual Elpídio de Almeida), quando tinha como hobbie o desenho e a pintura. Dividiu o ensino médio entre o Estadual da Prata e o Colégio Alfredo Dantas, quando ingressou como estagiária no Banco do Nordeste do Brasil, aos 17 anos. Por sugestão do pai, fez vestibular para o curso de Direito, na antiga Universidade Regional do Nordeste, hoje UEPB, trabalhando na área por algum tempo, especialmente como aprendiz dos escritórios de Severino Brasil e Fernando Porto. Ingressou no curso de História em 1991 e ali descobriu o prazer do conhecimento, que a fez abandonar a carreira de advogada. Antes de concluir a graduação, foi aprovada na seleção de mestrado em Economia Política, da UFPB. Casou-se em primeiras núpcias com o catarinense Silvio Tiago Cabral, com quem teve seu primeiro filho, Lucas Manoel, estudante de Psicologia. Ingressou como professora visitante na UEPB em 1997, no Departamento de História, onde permanece até hoje como professora efetiva.

Em 2008 mudou-se para Portugal, onde cursou o Doutorado em História na Universidade de Coimbra, que aprovou com louvor e distinção sua tese “Retórica da Alteridade – representações de Portugal e dos portugueses na historiografia brasileira”, publicada pela editora Hedra em 2015. No retorno ao Brasil, assumiu a Cadeira de História da Paraíba, no Curso de História da UEPB, o que a levou a organizar um grupo de pesquisa, no CNPQ, com estudos voltados à identidade, à memória e ao patrimônio cultural local. Do grupo nasceram projetos de defesa, preservação e difusão de documentos judiciais da paraíba, materializados em atividades de extensão para digitalização dos autos findos anteriores ao século XX, de algumas Comarcas da Paraíba. O desdobramento dessas atividades resultou na digitalização de documentos paroquiais e cartoriais, também, fomentando um acervo de imagens sobre o passado da Paraíba, doado integralmente ao Núcleo de Pesquisa e Extensão em História Local – NUPEHL/UEPB, por ela coordenado desde 2017. Contando com 34 bolsistas (fins de 2019), empenhada na pesquisa sobre várias cidades e gentes da Paraíba, coordenou o trabalho de digitalização do jornal A União, a partir do acervo físico da SECULT do Município de Esperança – PB. Atualmente pleiteia, junto aos Diários Associados, autorização para digitalização do Diário da Borborema, cujo acervo físico permanece na UEPB, e pela doação dos autos findos das comarcas extintas pelo Tribunal de Justiça do estado.  Anualmente lança seus resultados de pesquisa em livros produzidos pelo próprio Núcleo, num vigoroso trabalho de divulgação das pesquisas em História Local. Administra várias páginas online sobre os trabalhos do NUPEHL e expõe parte de sua produção em perfil acadêmico. 

É autora de variados artigos em revistas especializadas dentro e fora do país e de livros cujos títulos denotam seu interesse pela história da Paraíba e a fecundidade de sua produção como historiadora: “história, arte e cultura da paraíba” (2016), “leituras do passado, escritas do presente” (2016), “Tramas do Tempo, Impressões do Vivido” ( 2017), “História Local, Múltiplos Olhares” (2018), “Limites no Horizonte do Tempo – textos em história local” (2019). É casada com o historiador Flávio Carreiro de Santana, com quem divide a paixão pela história e irmã da também professora Lucira Freire Monteiro (CCJ/UEPB), formando um trio fecundo nas lides pela história e pela preservação da memória e dos acervos paraibanos. Nas raras horas vagas, dedica-se à genealogia, exibindo uma árvore onde se conta setenta gerações. 

MARIA DA CONCEIÇÃO GONÇALVES PEREIRA ARAÚJO

Filha de Francisco Pereira Dadá e Deolinda Gonçalves Pereira, natural de Boa Vista, Paraíba, nasceu em 14 de dezembro de 1946. Cursou o Primário no Grupo Escolar Teodósio de Oliveira Ledo em Boa Vista; fez o Curso Ginasial no Colégio Virgem de Lourdes em Monteiro e o Curso Normal no Colégio Santa Rita da cidade de Areia, Paraíba. Graduou-se em Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, no ano de 1974. Fez Cursos de Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade da Costa Rica, em 1976, e em Aconselhamento Pedagógico pela Universidade Federal da Paraíba, em 1978. No período 1985-1988, cursou Mestrado em Extensão Rural (temáticas: Políticas Públicas, Questões Tecnológicas e Qualidade de Vida) na Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais. 

É casada com Egberto Araújo, engenheiro agrônomo e professor da UFPB/CCA, Areia, Paraíba, com que teve:  Tomás Victor, engenheiro eletricista, e Tiago, zootecnista, ambos professores da UFCG Campus de Sumé.

Suas atividades profissionais sempre foram voltadas à Docência. Desde o tempo em que era aluna do Curso Normal, ministrava, quando de férias em sua terra natal, aulas preparatórias de Português e Matemática para candidatos ao Exame de Admissão ao Ginásio. Em João Pessoa, quando era estudante universitária, foi também professora nos Colégios João XXIII e Pio X. Na Universidade Federal da Paraíba iniciou suas atividades no ano de 1978, no Campus III, em Areia, participando da fundação e coordenação do Núcleo da Apoio Pedagógico – NAP e, concomitantemente, lecionando segmentos da disciplina Metodologia de Ensino Superior, conjuntamente com o professor Itan Pereira, a alunos de pós-graduação. Nos anos seguintes passou a ministrar aulas das disciplinas Extensão Rural, Seminários Técnicos e Psicologia Social nos cursos de Agronomia e Zootecnia. Orientou pesquisas de alunos de graduação em Trabalhos de Conclusão de Curso e co-orientou trabalhos na Pós-graduação. Atuando na Extensão, coordenou Programas de Assistência Técnica a agricultores e ministrou palestras para Técnicos que atuavam nesta área. Coordenou preparativos de participações do CCA-UFPB em eventos como Exposições e Feiras Agropecuárias, Congressos, Seminários. 

Foi também Vice Coordenadora do Curso de Agronomia e membro do Conselho Editorial da revista Agropecuária Técnica. Por exercer as atividades mencionadas participou de eventos promovidos por sociedades técnico-científicas como a Sociedade Brasileira de Sociologia e Economia Rural (SOBER), Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC). Foi membro da Diretoria da ABEAS. Por sua atuação no CCA-UFPB, ao aposentar-se, em 1997, recebeu o reconhecimento da Instituição e foi também agraciada como título de Cidadã Areiense.

Em Campina Grande, de 1998 a 2006, foi Professora Visitante da UEPB, ministrando aulas nos cursos de graduação em Enfermagem, Pedagogia e Psicologia. Recebeu o reconhecimento institucional pelos serviços prestados e homenagens de turmas concluintes.  Nos anos de 2007 e 2008 foi Professora Visitante na FACISA lecionando a disciplina Metodologia da Pesquisa nos cursos de Arquitetura, Enfermagem e Fisioterapia.

Nos anos subsequentes, foi consultora de Saúde Mental da Prefeitura Municipal de Campina Grande. Nessa condição, coordenou o Curso de Especialização em Saúde Mental Contextualizada – com a chancela da Pró-Reitoria de Pós-graduação da UFCG- e a publicação da revista Escritos de Saúde Mental I, II e III.

Dedicando-se a atividades literárias, escreveu e publicou seis livros, contando dois outros no prelo (fins de 2019). É membro da Academia de Letras de Areia – ALA, PEN Clube (Pensamento e Nacionalidade) de Campina Grande, Instituto Histórico e Geográfico do Cariri e do Instituto Histórico e Geográfico de Areia. Membro da Associação Cristã Feminina – ACF e participante do Coral Ísis Cruz, mantido por essa Associação.

MARIA DE FÁTIMA RIBEIRO DO BOMFIM 

Natural de Campina Grande, filha de Manoel Olinto do Bomfim e Maria Isabel Ribeiro do Bomfim. Começou a carreira artística em 1979, Professora, dançarina, ativista cultural, comediante, cantora, atriz e dramaturga. Boneca Clarita, sua personagem, faz animação de festas, conhecida pela clientela infantil. Com esta personagem, teve uma aprendizagem bastante ampla, através do seu trabalho com crianças menos favorecidas, participando de projetos culturais em áreas de risco e estimulando nessa clientela o interesse pela leitura, com oficinas de contadora de história. Entrou no mundo da música, grande paixão, porém, até então, não tinha ainda uma opção concreta do que queria seguir na arte, pois, de tudo fez um pouco. Mas as oportunidades maiores que teve em sua trajetória artística, foram relacionadas às artes cênicas ao descobrir que tinha talento nato para comédia. Na arte do entretenimento, foi premiada por onze vezes, como melhor atriz em Festivais Nacionais, seu carro chefe, a comicidade. Passeou por vários grupos teatrais e foi dirigida por excelentes diretores. No ano de 2000, criou sua própria companhia (Cia. Fátima Ribeiro) iniciando também a carreira de dramaturga escrevendo seu primeiro texto-comédia AS SOLTEIRONAS CACÁ, GAGÁ E DADÁ. Em 1994, quando participava de um Festival Nacional em Blumenau, submeteu-se a um teste realizado por uma equipe da Rede Globo que buscava novos talentos para um seriado e na mesma ocasião foi convidada para fazer um outro teste para ingressar no programa Zorra Total, onde chegou a ser mais uma vez selecionada. Apesar de todas estas oportunidades, não chegou a ser uma atriz global, pois, não teria como se afastar de sua mãe, considerando-se uma barra de saia inseparável de sua mãe. Artista do povo, despojadamente popular. Tem um CD infantil patrocinado pelo FIC-Fundo de Incentivo à Cultura, onde realiza um trabalho pedagógico e social em escolas públicas com distribuição gratuita. Fez 2 filmes, 21 espetáculos, 11 premiações de melhor atriz em Festivais nacionais e 8 textos de sua autoria.

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José Edmilson Rodrigues

* Advogado/Mestre em Literatura e Interculturalidade/Ensaísta.

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