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Mudança no perfil do emprego

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 18 de março de 2018 às 21:34

A sobrevivência de empresas, depende quase sempre de fatores que fogem ao domínio do empresário. Mudanças no perfil da concorrência, novos hábitos de consumo, renda das pessoas, etc. Hoje assistimos ao embate mais forte entre comércio tradicional e o e-comerce.  

O comércio eletrônico, que bate de frente com o tradicional, traz em si uma grande vocação de crescimento no mundo inteiro. No Brasil, em 2017, já atingiu um faturamento da ordem de US$ 19 bilhões – o décimo do mundo –  12% sobre o ano anterior e a perspectiva para 2018 é de um aumento ainda maior – 17%.

O maior mercado da modalidade, no mundo, é a China com vendas de US$ 563 bi; seguem-se Estados Unidos US$ 350 bi, Reino Unido US$ 94 e Japão US$ 79 bi.

Diante dessa realidade, a única saída para os empresários, é procurar o aperfeiçoamento de suas práticas de negócio, melhorando o atendimento, aprofundando o conceito de proximidade com o cliente e buscando oferecer produtos a preços competitivos já que os adquiridos pela internet agregam os custos da logística.

Trazendo para o campo local, recentemente fui efetuar a compra de utensílios domésticos, em ocasiões diferentes, e fiquei alarmado com o tratamento recebido. A forma de recepcionar e orientar o cliente foi lamentável em mais da metade dos estabelecimentos visitados, onde o autoservice predomina.

Em três lojas, no setor de eletrodomésticos, não havia ninguém para orientar, muito menos placas indicativas que trouxessem alguma ajuda. Numa delas, por sinal, só vislumbrei os caixas e dois funcionários à porta, vendendo celulares. Sem nenhuma orientação sobre as mercadorias, ou nas filas quanto ao atendimento preferencial a idosos e deficientes físicos.

Numa outra, não havia um vendedor para orientar o comprador; um supervisor que passava no local, disse que o sistema agora é de autosserviço, isto é, a escolha deveria ser feita pela própria pessoa, procurando e levando para o caixa a fim de efetuar o pagamento. Na terceira grande loja, não apareceu ninguém.

Nunca deveremos esquecer que o comércio é um dos mais preciosos símbolos do desenvolvimento de Campina Grande, e isso foi alcançado, ao longo do tempo, com trabalho árduo, produtos adequados às necessidades da clientela e tratamento de primeira categoria reconhecido na região e no país.

Não vai ser, portanto, esse descontentamento momentâneo, que pode ter sido pontual, a deslustrar o empenho e a competência dos nossos empresários, mas acendeu uma luz de alerta, que pode servir de lição, e à crítica acrescento uma sugestão.

Primeiramente, que as entidades de classe como CDL e Associação Comercial promovam uma pesquisa junto a consumidores, para uso restrito das empresas, com informações sobre as debilidades no abordagem e atendimento e, por consequência, do próprio negócio.

Em segundo lugar, se confirmado o que estamos trazendo à baila, que se estabeleça um compromisso entre estabelecimentos de diversos níveis e tamanhos, no sentido de melhor capacitação dos seus recursos humanos, com ênfase nos vendedores, orientando-os sobre as boas técnicas de venda.

Existem mecanismos para reciclagem e preparação da mão de obra, tanto dos que já fazem parte do mercado de trabalho quanto dos que nele ingressem.  Um bom exemplo é o Sistema S, de inquestionável competência e tão presente na Paraíba há décadas. Seria uma bela parceria.

É fato, que com a afluência de novos mecanismos de controle das operações das empresas, a informática em primeiro lugar, estabeleceu-se o princípio de ter menos empregados e usar mais os computadores. É o chamado desemprego tecnológico.

“O desemprego tecnológico ou estrutural origina-se em mudanças na tecnologia de produção (aumento da mecanização e automação) ou nos padrões de demanda dos consumidores (tornando obsoletas certas indústrias e profissões e fazendo surgir outras novas): em ambos os casos, grande número de trabalhadores fica desempregado a curto prazo, enquanto uma minoria especializada é beneficiada pela valorização de sua mão-de-obra.” (*)

(*) Novíssimo Dicionário de Economia  

Não nos iludamos com as consequências da retomada do crescimento da economia e os seus resultados plenos sobre o desemprego no Brasil, no curto e longo prazos.  A retomada do emprego será o último dos impactos positivos do desenvolvimento a ser atingido e, com certeza, jamais contemplará as mesmas ocupações de antes. Daí a necessidade de melhorar a qualidade da mão-de-obra, adaptando-a às novas circunstâncias.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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