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Mozart e Noel Rosa

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 5 de maio de 2019 às 11:30

No ano de sua morte, aos trinta e cinco anos, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) escreveu obras de grande maturidade: “Clemência de Tito”, “Flauta mágica”, “Concerto para clarinete e orquestra”, “Ave verum corpus” e o “Requiem”. Obras que antecipavam o que Mozart seria, caso tivesse vivido: um compositor maior do que foi.

Os sinais da genialidade de Mozart se mostraram desde a sua infância. Aos 5 anos de idade escreveu sua primeira peça para piano; aos 9, a primeira sinfonia e, aos quinze, já havia composto mais de uma centena de obras.

Para os admiradores de Mozart que desejarem proceder um estudo sistemático sobre a produção enorme desse grande artista, publicada sem números de “opus”, uma boa fonte de consulta pode ser o registro cronológico-temático organizado pelo musicólogo austríaco Ludwing Ritter von Köchel, lançado em 1862, seguido de atualizações.

Nesse registro, os títulos das obras são seguidos de números, dispostos em ordem cronológica, precedidos da letra K ou das letras KV, uma abreviação do termo do “Köchelverzeichnis”, catálogo Köchel, em alemão. Nesse catálogo, as obras começam com o “Minueto em Sol (KV 1) ” e termina com o famoso “Réquiem (KV 626) ”.

Levando em consideração que Mozart morreu cedo, aos trinta e cinco anos, pode-se afirmar que no conjunto de sua obra ele conseguiu conciliar quantidade com qualidade, num raro exemplo de densidade artística.

No plano pessoal, Mozart teve uma vida atribulada, passando por sérias dificuldades financeiras e dramas existenciais, como as mortes de filhos recém-nascidos e os problemas com sua esposa. Vindo, enfim, a morte dolorosa causada por uremia; tendo sido sepultado como indigente numa vala comum, que depois não foi possível identificar.

Parafraseando Otto Maria Carppeaux, no livro de sua autoria “Uma nova história da música”, Mozart foi um artista consumado. Sua vida e sua obra formam o maior episódio da história da música.

Ao escrever estas breves considerações sobre a vida e a obra de Mozart me veio à mente outro legado para o mundo da música; neste caso para a música popular, o do sambista, cantor, compositor e instrumentista brasileiro Noel Rosa.

Noel de Medeiros Rosa nasceu no Rio de Janeiro – RJ, em 11/12/1910, num modesto chalé, localizado na rua Teodoro da Silva, número 30, em Vila Isabel.

Segundo Jairo Severiano, em “Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade” (São Paulo: Editora 34, 2013, 3ª Edição), o nascimento de Noel foi difícil e demorado. Tanto que os dois médicos que assistiam a parturiente decidiram pela utilização do fórceps, o que ocasionou uma fratura na mandíbula do recém-nascido, deixando-o com o queixo torto para o resto da vida.

Diferentemente de Mozart, que entrou na vida artística ainda criança, a entrada de Noel Rosa se deu aos dezenove anos, quando ele iniciou sua participação no Bando de Tangarás, sendo dele o grande sucesso “Com que roupa”, gravado em trinta de setembro de 1930. Faziam parte do Bando de Tangarás: Noel Rosa, Braguinha, Alvinho, Henrique Brito e Almirante.

A exemplo de Mozart, Noel também teve uma vida atribulada, marcada pela saúde frágil, agravada pelas noitadas na boemia, pelos excessos de bebida e pelos relacionamentos extraconjugais, o que lhe causava problemas com a esposa.

Apesar de uma vida breve, durante os 7 anos de atividade musical e vinte e seis anos e meio de existência, Noel Rosa (O poeta da Vila), deixou como legado duzentos e cinquenta e nove composições, individuais ou em parceria, dentre as quais sucessos como: “Silêncio de um minuto”, “Conversa de botequim”, “Feitiço da Vila”, “Feitio de oração”, “Gago apaixonado”, “Fita amarela”, “Três apitos”, “Palpite infeliz”, “Pierrô apaixonado”, “Filosofia”, “Não tem tradução”, “Pastorinhas” e “Último desejo”.

Noel Rosa morreu na noite de 4 de maio de 1937, na casa onde nasceu, tendo como causa morte tuberculose, doença com a qual convivia a vários anos. O seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro – RJ, e ao seu enterro compareceram muitas personalidades da música e do rádio.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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