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Mobilidade humana

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 8 de agosto de 2018 às 8:51

Uma questão que veio para ficar e é de interesse geral em nosso país, é a mobilidade nos nossos centros urbanos, seja nas grandes metrópoles ou nas cidades de menor porte. É um processo em continua evolução.

Se no princípio se falava sempre em mobilidade urbana tratando do transporte, da locomoção, hoje novos valores são agregados pela ideia de equidade entre os cidadãos e não apenas dos que usam veículos de qualquer natureza. O veículo transportador deixa de ser o foco principal, passando este para o cidadão.

A mobilidade urbana tem estado cada vez mais presente no debate sobre o futuro do Brasil, notadamente em razão de seus efeitos sobre a vida de quem mora nas cidades, não mais como uma simples técnica da engenharia, do mero transportar, mas também por sua função social. A tecnologia deve ser um instrumento alinhado às necessidades do cidadão. Isso sim, torna as cidades espaços inteligentes.

O Brasil paga um altíssimo preço pela opção por um modelo de transporte de baixa eficiência – o automóvel para passageiros ou cargas – com elevados custos sociais e ambientais, e, principalmente por uma fonte de energia não renovável, e isso cobrará um altíssimo preço no futuro.

Os transportes públicos da maioria das cidades brasileiras são de má qualidade, o que conduz o cidadão a adquirir um automóvel, em decorrência de um maior poder de compra trazido pela mobilidade social e pelas facilidades do crédito, armadilha que tem seus efeitos nefastos como a inadimplência, tão alta em nossa economia…além de congestionar o centro urbano. Enquanto isso, no mundo, são mais de oitenta sistemas de metrô com percursos inferiores a vinte quilômetros. Milão com um quarto da população de São Paulo tem um metrô do mesmo tamanho, e Haifa, em Israel tem uma linha de apenas 1.800 metros.

E Campina Grande não foge a esse “padrão” nacional. O próprio desenho urbano, construído ao longo de muitos anos não contribui para a eficácia das soluções. Somos uma cidade em que, a cada dia, fica mais difícil e caro procurar bens e serviços nos espaços congestionados do centro urbano, para onde acorrem diariamente milhares de pessoas. Aqui somos eternos dependentes da Avenida Floriano Peixoto. Ainda não implantamos entre nós uma política de estímulos governamentais para que, gradativamente, algumas funções exercidas pelo centro, alguns serviços demandados por grande número de pessoas, sejam deslocadas para os bairros de maior contingente populacional, ou mesmo construindo “ilhas de estacionamento” ligadas a coletivos que façam apenas o percurso entre ruas do centro. O cidadão deixa o carro estacionado vai para o centro, volta, em transporte coletivo, para apanhar o seu carro e regressa a sua casa sem passar pelo centro.

Mesmo assim, os espaços reduzidos no centro ainda são mal aproveitados ou não oferecem as condições mínimas de mobilidade humana. São ruas com piso precário e calçadas malconservadas ou inexistentes. Citamos, c dentre outras, as ruas Miguel Barreto e Augusto Severo, que ligam as Avenidas Getúlio Vargas e João Pessoa passando pela Rua Félix Araújo; e o absurdo das calçadas, se podem disso ser chamadas, da Rua Padre Ibiapina, que liga a João Suassuna à Epitácio Pessoa. E tem muito mais, é só procurar.

Nos instantes de pico, de grande movimentação, no mundo inteiro, notamos a presença de guardas a orientar o trânsito, partindo do princípio de que nenhum sistema pode prescindir do olho de pessoa qualificada para a tarefa. Em Campina Grande, o trânsito também é complicado nos momentos de rush e pouco se vê a presença de guardas da STTP para orientar o movimento de veículos. E a STTP tem gente qualificada.

O problema é mais complicado nas rotatórias do Viaduto Elpidio de Almeida, do Catolé, do Parque da Criança e da conexão das Avenidas Almirante Barroso e Juscelino Kubistchek.

Outro grande problema é o dos estacionamentos no centro da cidade. A zona Azul está precisando de um redesenho. Primeiramente os espaços para deficientes e idosos são insuficientes, dificultando a mobilidade dessas pessoas e ainda assistimos o desplante de quem não se enquadra nessa categoria, usando a vaga. O certo mesmo seria atribuir vagas proporcionais ao número desses cidadãos no total da população.

Lembremo-nos que os com mais de 60 anos já são cerca de 10% sem contar os deficientes físicos. E fiscalizar.

Até a experiência com tecnologia de ponta, de registrar pelo celular o veículo estacionado, e que permitiria controle eficaz do uso correto dos espaços e o faturamento efetivo dos concessionários, foi abandonado inexplicavelmente.

Não se nota uma fiscalização sistemática orientando, educando. Pouco adianta encher as ruas de câmeras sem a presença dos agentes de trânsito. Multar apenas não resolve.

Para concluir, porque o tempo é curto; a Prefeitura precisa notificar os donos de estacionamentos particulares para que os locais disponham das mínimas condições de prestar um serviço de qualidade, a começar pelo acesso e piso. Presume-se que todos devem ter um Alvará de Funcionamento que impõe a observância de certas regras, como de resto todo o qualquer estabelecimento que se instala na cidade. E uso do mesmo sistema eletrônico da Zona Azul, para aferir o faturamento e possibilitar a arrecadação do ISS.

Tudo isso, e mais alguma coisa, é mobilidade social. Conforto e bem-estar para um cidadão já cansado de tantos problemas.

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Arlindo Pereira de Almeida

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