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“Minha doce Veruska”

Gisa Veiga. Publicado em 12 de fevereiro de 2019 às 12:03

Poucas vezes senti, com aperto no peito, a morte de alguém famoso e distante. Conto três: Ayrton Senna, Ariano Suassuna (este, pelo menos, apertei a mão) e, agora, Ricardo Boechat.

Para mim, ouvir Ricardo Boechat pela manhã e Reinaldo Azevedo à noite era mais que uma necessidade de me informar bem. Era um prazer enorme. Agora, só me resta Azevedo.

Boechat é insubstituível. E não me venham dizer que não existe ninguém insubstituível. Como ele, não sentará ninguém naquela cadeira da rádio Bandeirantes, não falará ninguém naquele microfone. Será outro, certamente competente. Mas não será Boechat.

Era ateu. Mas, como alguns já observaram, tinha e praticava a ética cristã, indignando-se com as injustiças, condenando a corrupção, desassossegando todos os que fugiam da correção e da responsabilidade pública. Mônica Bérgamo, companheira de bancada, admitiu que ele era duro nas pancadas. Mas que as distribuía com justiça, sem indignação seletiva. Coisa difícil de se ver.

Não se atemorizava com os inúmeros processos que sofreu. Era um jornalista destemido, correto, astuto, responsável, bem informado. Querido e odiado. Mas, sobretudo, fiel à sua ética jornalística. Doesse em quem doesse.

Ficamos órfãos. Todos nós. Todos os jornalistas, todos os seus ouvintes, toda a sociedade. Porque perder alguém com todas essas qualidades é perder um pouco as esperanças no jornalismo tão carente de profissionais íntegros.

Não bastassem todos esses predicados, um deles me tocava em especial: o amor e o carinho à sua esposa, que ele fazia questão de tornar públicos. A ela se referia como “minha doce Veruska”. Era o lado doce que ele externava provando que todo sisudo – e assim ele era considerado por muitos – tem um coração que bate macio, macio.

Que pena que esse coração parou de bater.

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Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Gisa Veiga

Gisa Veiga é jornalista profissional (formada pela UFPB) e advogada (formada pelo Unipê), com experiência em jornalismo impresso, internet, televisão e assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa e apresentadora do programa Sobretudo, da TV Master.

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